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Atualizado 23/02/2008
 
 
 
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Candidatos a prefeito de Salvador debatem na TV
e intensificam campanha nos bairros da periferia
 

             

 

 Com a tônica das discussões voltadas principalmente para temas como saúde, segurança e trânsito, os cinco candidatos à prefeitura de Salvador - Antonio Imbassahy (PSDB), ACM Neto (DEM), Walter Pinheiro (PT), João Henrique (PMDB) e Hilton Coelho (Psol) - praticamente deram a largada à campanha propriamente dita no primeiro debate promovido pela Band. Inicialmente morno devido à forma engessada como são amarradas as regras de eventos dessa natureza, o debate só esquentou mesmo do segundo bloco em diante quando os candidatos puderam se questionar mutuamente.
Os candidatos passaram a maior parte do tempo se apresentando como solução e jogando sobre os adversários a culpa pelos principais problemas enfrentados pela população de Salvador. Hilton Coelho, o primeiro a falar e sempre o mais incisivo, foi o único que não usou os nomes do governador Jaques Wagner e do presidente Lula como cabos eleitorais (até ACM Neto disse não prescindir do auxílio de ambos), argumentando que Salvador vem sendo gover-nada por interesses privados mesquinhos e particularistas, e nessa mesa tem vários candidatos que participaram desse processo, a exemplo de ACM Neto e Imbassahy. Ele disse ser necessário acabar com o faz de conta da educação, "é preciso deixar de investir apenas nas fachadas e sim no que está dentro das escolas, valorizar professores, servidores. Investir na humanização ensino do afro-descendente, que encontra tão pou-co apoio de nosso poder público".
O deputado federal ACM Neto disse que queria ser prefeito de Salvador para tirar a cidade do século 20 e trazê-la para o século 21. "Hoje Salvador é a capital do aumento da violência, é uma cidade que perdeu a capacidade de planejar seu futuro. Queremos mostrar que é possível fazer mais, gastando menos", ensinou.
O prefeito João Henrique disse que queria ser reeleito para dar continuidade ao trabalho iniciado em 2005, que, segundo ele, teria transformado Salvador em uma cidade auto-sufiente. "Salvador é a capital brasileira do desemprego há mais de 10 anos, hoje é um canteiro de obras. Salvador não tinha planejamento, não tinha um plano diretor, e hoje tem", explicou.
O ex-prefeito Antonio Imbassahy argumentou que o fato de já ter administrado a cidade por dois períodos lhe daria autoridade para dizer que sua eleição seria uma dádiva. "Conheço os problemas de Salvador e não vou esperar três, quatro ou cinco meses, vou governar logo no primeiro dia. Sei onde estão os recursos, tenho excelente relacionamento com o governo Jaques Wagner", disse.
O petista e também deputado federal Walter Pinheiro disse que Salvador está se transformando numa cidade perversa. "Eu mesmo tive oportunidades que meus filhos não tiveram, a exclusão do povo negro, os congestionamentos, problemas sérios, tratar a cidade e resgatar o ser humano", pontuou.
Observadores políticos constatam que a disputa este ano será mesmo muito acirrada. Segundo o cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia, Paulo Fábio Dantas, a corrida sucessória reúne candidatos e coligações que detêm capital político e sabem atuar na tentativa de preservá-lo. Em sua opinião, é cedo para imaginar um quadro no segundo turno. "Não há elementos objetivos que assegurem a realização do segundo turno. O lado mais interessante é que o eleitor tem um leque maior de candidatos para fazer a sua escolha", expõe o especialista.
CAMPANHA - Terminado o debate, os cinco prefeituráveis vão agora às ruas colher os louros de suas performances. Durante essa semana, os candidatos intensificaram suas visitas aos bairros de Salvador, levando promessas de melhorias e soluções para os problemas que afligem a população, sobretudo da periferia, da terceira maior cidade brasileira.
A elaboração de "planos de bairros", com a participação das lideranças comunitárias e organizações locais, para definir as políticas públicas prioritárias a serem implementadas em cada local da cidade tem sido defendida por Walter Pinheiro, em Cajazeiras. O "plano de bairro" está associado à outra proposta apresentada pelo petista que é descentralizar a prestação dos serviços públicos para todas as regiões da cidade, através da criação dos Centros de Serviços em substituição as Administrações Regionais (ARs). Ele considera que o modelo das ARs acabou por se transformar em estruturas clientelistas, que servem muito mais para a cooptação e manipulação das lideranças comunitárias; enquanto que os Centros de Serviços terão estrutura e atuação profissionalizada. O propósito é criar, paulatinamente, filiais de órgãos municipais, estaduais e federais nos próprios bairros, para facilitar e desburocratizar o acesso da população aos serviços públicos.
Durante a caminhada realizada em Cajazeiras foi improvisado um brevíssimo comício, quando Pinheiro e Lídice explicaram que estavam percorrendo toda a cidade de Salvador levando a mensagem da coligação que almeja alcançar a prefeitura para "fazer de Salvador uma cidade mais humana e menos desigual".
Lídice lembrou que Walter Pinheiro é um dos melhores deputados federais do Brasil, de grande prestígio no Congresso Nacional e que tem lutado diuturnamente para trazer recursos e obras para a Bahia.
ACM Neto também passou por Cajazeiras, bairro que é uma verdadeira cidade dentro da capital baiana. Lá, além de receber convites para dormir no bairro - como fez no último final de semana no subúrbio -, o democrata assumiu o compromisso de colocar um módulo da Secretaria de Prevenção à Violência, pasta que pretende criar caso seja eleito prefeito de Salvador. Os agentes comunitários de segurança, como são chamados hoje os guardas municipais - que ainda não foram colocados nas ruas pela atual administração -, serão subordinados à Secretaria de Prevenção à Violência.
O candidato democrata disse que vai ser o prefeito que vai combater o aumento da violência e da criminalidade, atuando conjuntamente com as polícias do governo do estado, de forma inteligente e articulada. Os agentes comunitários de saúde, ao contrário da guarda municipal proposta pela atual administração, portarão armas. E estarão em permanente contato com as comunidades dos bairros.
O candidato do Democratas fez caminhada em Cajazeiras 8, onde aproveitou o comércio aberto para pedir voto. O candidato a vice-prefeito, Márcio Marinho (PR), esteve presente, ao lado do deputado federal Maurício Trindade (PR), vereadores e candidatos a vereador. No final da caminhada, ACM Neto discursou num palanque improvisado montado no Largo da Feirinha. ACM Neto destacou ainda a proposta de criação do "3º Centro de Salvador, que vai beneficiar Cajazeiras. O 3º Centro vai integrar os bairros do subúrbio aos do miolo da cidade, aquecendo a economia da cidade, gerando emprego e renda. A prefeitura vai incentivar a instalação de empreendimentos no 3º Centro e transferir parte dos serviços essenciais para este novo pólo de desenvolvimento".
O candidato assegurou ainda que irá instalar em Cajazeiras um Centro de Gestão Municipal no bairro. No total, serão 15 centros espalhados pela a cidade, onde a população terá acesso a serviços sem precisar se deslocar até a prefeitura. "Comigo na prefeitura, Salvador vai saber quem a governa, tanto nos erros quanto nos acertos. Por isso, peço essa oportunidade", disse ACM Neto. O prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) e o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB) também visitaram o subúrbio nos últimos dias. Candidato com a maior rejeição entre os postulantes à prefeitura, João Henrique prometeu colocar ar-condicionado nos trens, caso seja reeleito.

 


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