Candidatos a prefeito de
Salvador debatem na TV
e intensificam campanha nos bairros da periferia

Com a tônica das discussões voltadas
principalmente para temas como saúde, segurança e trânsito,
os cinco candidatos à prefeitura de Salvador - Antonio
Imbassahy (PSDB), ACM Neto (DEM), Walter Pinheiro (PT), João
Henrique (PMDB) e Hilton Coelho (Psol) - praticamente deram
a largada à campanha propriamente dita no primeiro debate
promovido pela Band. Inicialmente morno devido à forma
engessada como são amarradas as regras de eventos dessa
natureza, o debate só esquentou mesmo do segundo bloco em
diante quando os candidatos puderam se questionar
mutuamente.
Os candidatos passaram a maior parte do tempo se
apresentando como solução e jogando sobre os adversários a
culpa pelos principais problemas enfrentados pela população
de Salvador. Hilton Coelho, o primeiro a falar e sempre o
mais incisivo, foi o único que não usou os nomes do
governador Jaques Wagner e do presidente Lula como cabos
eleitorais (até ACM Neto disse não prescindir do auxílio de
ambos), argumentando que Salvador vem sendo gover-nada por
interesses privados mesquinhos e particularistas, e nessa
mesa tem vários candidatos que participaram desse processo,
a exemplo de ACM Neto e Imbassahy. Ele disse ser necessário
acabar com o faz de conta da educação, "é preciso deixar de
investir apenas nas fachadas e sim no que está dentro das
escolas, valorizar professores, servidores. Investir na
humanização ensino do afro-descendente, que encontra tão
pou-co apoio de nosso poder público".
O deputado federal ACM Neto disse que queria ser prefeito de
Salvador para tirar a cidade do século 20 e trazê-la para o
século 21. "Hoje Salvador é a capital do aumento da
violência, é uma cidade que perdeu a capacidade de planejar
seu futuro. Queremos mostrar que é possível fazer mais,
gastando menos", ensinou.
O prefeito João Henrique disse que queria ser reeleito para
dar continuidade ao trabalho iniciado em 2005, que, segundo
ele, teria transformado Salvador em uma cidade auto-sufiente.
"Salvador é a capital brasileira do desemprego há mais de 10
anos, hoje é um canteiro de obras. Salvador não tinha
planejamento, não tinha um plano diretor, e hoje tem",
explicou.
O ex-prefeito Antonio Imbassahy argumentou que o fato de já
ter administrado a cidade por dois períodos lhe daria
autoridade para dizer que sua eleição seria uma dádiva.
"Conheço os problemas de Salvador e não vou esperar três,
quatro ou cinco meses, vou governar logo no primeiro dia.
Sei onde estão os recursos, tenho excelente relacionamento
com o governo Jaques Wagner", disse.
O petista e também deputado federal Walter Pinheiro disse
que Salvador está se transformando numa cidade perversa. "Eu
mesmo tive oportunidades que meus filhos não tiveram, a
exclusão do povo negro, os congestionamentos, problemas
sérios, tratar a cidade e resgatar o ser humano", pontuou.
Observadores políticos constatam que a disputa este ano será
mesmo muito acirrada. Segundo o cientista político e
professor da Universidade Federal da Bahia, Paulo Fábio
Dantas, a corrida sucessória reúne candidatos e coligações
que detêm capital político e sabem atuar na tentativa de
preservá-lo. Em sua opinião, é cedo para imaginar um quadro
no segundo turno. "Não há elementos objetivos que assegurem
a realização do segundo turno. O lado mais interessante é
que o eleitor tem um leque maior de candidatos para fazer a
sua escolha", expõe o especialista.
CAMPANHA - Terminado o debate, os cinco prefeituráveis vão
agora às ruas colher os louros de suas performances. Durante
essa semana, os candidatos intensificaram suas visitas aos
bairros de Salvador, levando promessas de melhorias e
soluções para os problemas que afligem a população,
sobretudo da periferia, da terceira maior cidade brasileira.
A elaboração de "planos de bairros", com a participação das
lideranças comunitárias e organizações locais, para definir
as políticas públicas prioritárias a serem implementadas em
cada local da cidade tem sido defendida por Walter Pinheiro,
em Cajazeiras. O "plano de bairro" está associado à outra
proposta apresentada pelo petista que é descentralizar a
prestação dos serviços públicos para todas as regiões da
cidade, através da criação dos Centros de Serviços em
substituição as Administrações Regionais (ARs). Ele
considera que o modelo das ARs acabou por se transformar em
estruturas clientelistas, que servem muito mais para a
cooptação e manipulação das lideranças comunitárias;
enquanto que os Centros de Serviços terão estrutura e
atuação profissionalizada. O propósito é criar,
paulatinamente, filiais de órgãos municipais, estaduais e
federais nos próprios bairros, para facilitar e
desburocratizar o acesso da população aos serviços públicos.
Durante a caminhada realizada em Cajazeiras foi improvisado
um brevíssimo comício, quando Pinheiro e Lídice explicaram
que estavam percorrendo toda a cidade de Salvador levando a
mensagem da coligação que almeja alcançar a prefeitura para
"fazer de Salvador uma cidade mais humana e menos desigual".
Lídice lembrou que Walter Pinheiro é um dos melhores
deputados federais do Brasil, de grande prestígio no
Congresso Nacional e que tem lutado diuturnamente para
trazer recursos e obras para a Bahia.
ACM Neto também passou por Cajazeiras, bairro que é uma
verdadeira cidade dentro da capital baiana. Lá, além de
receber convites para dormir no bairro - como fez no último
final de semana no subúrbio -, o democrata assumiu o
compromisso de colocar um módulo da Secretaria de Prevenção
à Violência, pasta que pretende criar caso seja eleito
prefeito de Salvador. Os agentes comunitários de segurança,
como são chamados hoje os guardas municipais - que ainda não
foram colocados nas ruas pela atual administração -, serão
subordinados à Secretaria de Prevenção à Violência.
O candidato democrata disse que vai ser o prefeito que vai
combater o aumento da violência e da criminalidade, atuando
conjuntamente com as polícias do governo do estado, de forma
inteligente e articulada. Os agentes comunitários de saúde,
ao contrário da guarda municipal proposta pela atual
administração, portarão armas. E estarão em permanente
contato com as comunidades dos bairros.
O candidato do Democratas fez caminhada em Cajazeiras 8,
onde aproveitou o comércio aberto para pedir voto. O
candidato a vice-prefeito, Márcio Marinho (PR), esteve
presente, ao lado do deputado federal Maurício Trindade
(PR), vereadores e candidatos a vereador. No final da
caminhada, ACM Neto discursou num palanque improvisado
montado no Largo da Feirinha. ACM Neto destacou ainda a
proposta de criação do "3º Centro de Salvador, que vai
beneficiar Cajazeiras. O 3º Centro vai integrar os bairros
do subúrbio aos do miolo da cidade, aquecendo a economia da
cidade, gerando emprego e renda. A prefeitura vai incentivar
a instalação de empreendimentos no 3º Centro e transferir
parte dos serviços essenciais para este novo pólo de
desenvolvimento".
O candidato assegurou ainda que irá instalar em Cajazeiras
um Centro de Gestão Municipal no bairro. No total, serão 15
centros espalhados pela a cidade, onde a população terá
acesso a serviços sem precisar se deslocar até a prefeitura.
"Comigo na prefeitura, Salvador vai saber quem a governa,
tanto nos erros quanto nos acertos. Por isso, peço essa
oportunidade", disse ACM Neto. O prefeito João Henrique
Carneiro (PMDB) e o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB)
também visitaram o subúrbio nos últimos dias. Candidato com
a maior rejeição entre os postulantes à prefeitura, João
Henrique prometeu colocar ar-condicionado nos trens, caso
seja reeleito.
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