Crescimento vertical em
Lauro de Freitas
Casas com no máximo dois pavimentos para
passar o final de semana ou o verão, curtindo a pra-ia e a
tranqüilidade, já não dominam mais o cenário de Lauro de
Freitas. De alguns anos para cá, a população e os
investimentos no município cresceram, e a cidade, cuja
maioria dos imóveis era casas, vem atraindo cada vez mais
empreendimentos imobiliários verticais.
De acordo com a Secretaria de Planejamento, Saneamento, Meio
Ambiente e Turismo de Lauro de Freitas (Seplantur), nos
últimos dois anos seis novos condomínios verticais foram
construídos no município e no momento estão sendo erguidos
mais dez com previsão de entrega até 2010.
Com uma população abaixo de 10% do número de habitantes da
capital baiana, Lauro de Freitas possui uma média de 2.300
novos apartamentos por ano, enquanto Salvador registrou seis
mil novos imóveis no ano passado. De 2007 a 2010 estima-se
que o município receba aproximadamente sete mil novas
unidades.
Segundo Walter Barreto Júnior, presidente da Ademi
(Associação das Empresas do Mercado Imobiliário), a
verticalização de Lauro de Freitas é resultado do
crescimento do mercado imobiliário baiano e do fato da
cidade possuir uma localização privilegiada, sendo um dos
vetores de crescimento de Salvador. Para ele, a
verticalização oferece aos moradores mais qualidade de vida
e a opção de escolher entre morar em apartamento ou uma
casa. “Antes, quem trabalhava no Pólo, por exemplo, e queria
morar em apartamento, era obrigado a morar em Salvador. A
verticalização permite que a população escolha se quer morar
em casa ou em apartamento, além de oferecer aos habitantes
de Lauro de Freitas empreendimentos de qualidade”, afirmou.
O corretor de imóveis da Expansão Imobiliária, Advaldo
Ramos, comemora os investimentos trazidos pela cidade
através da verticalização. “Lauro de Freitas recebeu os
empreendimentos verticais de braços abertos. E não poderia
ser diferente, pois eles trouxeram investimentos para o
município e melhores condições de moradia”, disse.
Não se pode afirmar que esse crescimento imobiliário tenha
significativa contribuição para a diminuição do déficit
habitacional, já que a maioria das construções está voltada
para as classes média e alta, enquanto o déficit
habitacional concentra-se na população de baixa renda.
Atualmente a Bahia ocupa o quarto lugar no ranking nacional
de déficit habitacional, com a carência de 600 mil moradias,
destas 250 mil concentram-se em Salvador e Região
Metropolitana. De acordo com dados do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2003 o déficit
habitacional de Lauro de Freitas era de 32%.
O acesso da população das classes média e baixa à casa
própria tem se tornado possível através de alguns programas
habitacionais e planos de pagamento, que permitem a quitação
dos imóveis em até 180 meses, a exemplo do PAR (Programa de
Arrendamento Residencial) que entregou, no início deste ano,
340 apartamentos na região do Cají, com mensalidades abaixo
de R$ 300,00.
Para Denise Marques, coordenadora do Departamento de Gestão
Urbana do Município, o crescimento imobiliário significa
geração de empregos, atração de novos investimentos,
aquecimento da economia e crescimento da população. “Hoje
Lauro de Freitas deixa de ser apenas uma cidade de veraneio
para se tornar uma alternativa de moradia para quem procura
uma melhor qualidade de vida.”, afirmou.
Em contrapartida, esse crescimento exige do município
planejamento, estudos e projetos a fim de amenizar os
impactos por ele trazidos, tornando necessária a melhoria do
saneamento básico, da educação, da segurança, da
infra-estrutura viária e uma intervenção pública mais eficaz
no trânsito.
O vereador Márcio Araponga defende que a verticalização de
Lauro de Freitas trará grandes impactos para a cidade. “Eu
não sou contra a verticalização. O que eu não concordo é que
as obras sejam liberadas da forma que vem sendo, sem que
haja intervenções no trânsito, no sistema de esgotos e sem
avaliar os impactos ambientais”, disse.
Walter Barreto Júnior defende que os empreendimentos que
estão sendo construídos em Lauro de Freitas possuem licença
ambiental e que os problemas no trânsito são conseqüências
do aumento das vendas de automóveis pelas indústrias
automobilísticas. “Apartamentos não provocam
congestionamentos no trânsito. O que causa engarrafamentos
são os carros, portanto, os problemas gerados no trânsito
são originados pelo aumento das vendas de automóveis. Cabe
ao poder público intervir, melhorando o sistema viário e o
transporte coletivo”, disse.
De acordo com Denise Marques, várias ações vêm sendo
realizadas no município para que possa minimizar os efeitos
deste crescimento, tais como a realização de obras de
saneamento básico, requalificação da malha viária, além da
reestruturação do sistema viário. “Estamos elaborando vários
estudos e projetos de reestruturação do sistema viário do
município, inclusive de requalificação da Estrada do Coco”,
disse.
O projeto de lei do Plano Diretor de Desenvolvimento
Municipal (PDDM) de Lauro de Freitas divide a cidade em
zonas com parâmetros diferenciados, cujos principais
objetivos são evitar que algumas regiões tornem-se muito
povoadas e incentivar a ocupação em áreas com menor
densidade demográfica. No momento, o PDDM aguarda aprovação
da Câmara dos Vereadores. Enquanto isso dois decretos tratam
da verticalização no município, a fim de evitar que algumas
localidades tenham crescimento populacional descontrolado.
Para isso, as construções são limitadas em dez pavimentos e
a ocupação em 33% da área do terreno.
A liberação de alvarás de construção de condomínios
verticais é feita após a avaliação dos impactos na
vizinhança, da proximidade de cursos hídricos, do
gerenciamento dos resíduos, das dimensões mínimas dos
cômodos, das interferências no sistema viário, entre outras.
Além disso, todas as liberações passam pela avaliação do
Departamento de Saneamento Ambiental (DAS).
A maioria das edificações concentra-se nos bairros de
Buraquinho, Cají, Pitangueiras e no Loteamento Jardim
Aeroporto. Os imóveis custam de R$ 70 a 240 mil.
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