Capoeira é Patrimônio
Cultural Imaterial do Brasil

Herança deixada pelos escravos africanos, a
capoeira que hoje é reconhecida mundialmente como esporte,
dança, manifestação artística, acaba de se tornar Patrimônio
Cultural Imaterial do Brasil, a partir da reunião do
Conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan), realizada terça-feira (15), no Palácio Rio
Branco.
O inventário para o registro do esporte como um bem cultural
do país foi uma iniciativa do Iphan e é resultado de uma
ampla pesquisa realizada nos últimos dois anos para a
produção de conhecimento e documentação sobre esse bem
imaterial. Uma vez registrado o bem, será possível elaborar
projetos e políticas públicas que envolvam ações necessárias
à preservação dessa manifestação.
A partir do registro, a capoeira passa a fazer parte do
patrimônio cultural do Brasil e assegura os direitos dos
profissionais da arte. Os velhos mestres terão plano de
previdência especial, será estabelecido um programa de
incentivo da capoeira no mundo e criado um Centro Nacional
de Referência da Capoeira, além do plano de manejo da
biriba, madeira utilizada na fabricação do instrumento
principal da capoeira.
“Agora, depois de 56 anos de capoeira e divulgar a nossa
arte pelo mundo, eu vou poder ter minha aposentadoria”,
afirma mestre Boa Gente, 63 anos. Segundo ele, a fama da
capoeira é importante para a divulgação da manifestação
cultural, mas o reconhecimento tem mais valor legal.
De acordo com o presidente do Iphan, Luiz Fernando Almeida,
o direito dos profissionais foi um dos principais ganhos do
registro da capoeira. “O registro inclui os mestres de
capoeira, no Livro de Saberes, e da roda de capoeira, no
Livro das Formas de Expressão, e a garantia de todos os
direitos legais dos profissionais do esporte”, acrescenta.
Durante a reunião do Conselho, formado pelo presidente do
Iphan e demais representantes do instituto, com a presença
do governador Jaques Wagner e do ministro interino da
Cultura, Juca Ferreira, foi apresentado um filme sobre a
história da capoeira desde a época da escravidão e lembrando
os mestres Bimba e Pastinha, principais representantes e
divulgadores da arte.
Para Wagner, “não há quem não admire a capoeira,
principal-mente pelo trabalho educacional dos mestres que
incorporam tantos jovens ao esporte”, disse. “O Brasil está
engrandecido com esse reconhecimento. A partir dele estamos
mais perto do ideal da democracia racial e cada vez mais em
desenvolvimento”, assegura o ministro interino Juca
Ferreira.
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