Promotor condenado por
estupro
é colocado em disponibilidade

Por unanimidade, o Órgão Especial do Colégio
de Procura-dores de Justiça do Ministério Público da Bahia
decidiu segunda-feira (16), negar o recurso interposto pelo
promotor de Justiça Marcos Antônio da Silva Gonzaga,
conde-nado por crime de estupro e ameaça contra uma
adolescente do município de Itaberaba, colocando em
disponibilidade durante nove anos, cinco meses e 22 dias,
“por conduta incompatível com o exercício do cargo”. A
contagem do prazo, que é o mesmo fixado pela Justiça em maio
de 2006 como condenação pelos crimes por ele cometidos,
retroage ao dia 25 de agosto de 2005, data em que o Conselho
Superior do MP já o havia colocado em disponibilidade, mas
de cuja decisão ele recorreu.
Gonzaga, que ficou foragido por seis meses e foi preso no
último dia 1º de fevereiro, em ação do Grupo de Atuação
Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do
Ministério Pú-blico, ainda responde a uma ação civil de
decretação de perda do car-go proposta contra ele, em
setembro de 2007, pelo procurador-geral de Justiça Lidivaldo
Britto. A ação do MP aguarda julgamento pelo juiz da 19ª
Vara Cível de Salvador.
Os crimes cometidos por Marcos Gonzaga aconteceram em 2002,
quando ele era promotor de Justiça titular do município de
Itaberaba. O promotor passou a abusar da adolescente que, na
época, tinha 16 anos, após a mãe dela tê-lo procurado para
tentar ingressar com uma ação de alimentos em favor da
filha. Ao invés de cumprir seu papel, ele submeteu a garota
a sucessivos estupros durante sete meses, ameaçando-a caso o
denunciasse. Descoberto, ele foi afastado do cargo pelo MP
no mesmo ano, sendo finalmente julgado e condenado em uma
sessão do Pleno do Tribunal de Justiça da Bahia em 26 de
maio de 2006.
O promotor recorreu da decisão, mas teve suas apelações
indeferidas pelo Tribunal de Justiça e, por isso, fugiu.
Marcos Gonzaga ingressou no Ministério Público em agosto de
1995, após ser aprovado em concurso público, e, porque
tornou-se membro vitalício em 1998, só perderá o cargo de
promotor de Justiça após o julgamento da ação civil proposta
pelo MP. (Ascom)
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