Evento discute os
caminhos da bioenergia e da sustentabilidade

As preocupações com a preservação do
meio ambiente e com o desenvolvimento sustentável têm
entrado, cada vez mais, nas pautas de grandes indústrias. Na
Bahia, não é diferente, prova disso foi o Painel Bioenergia
e Sustentabilidade realizado na última terça-feira (10), no
Bahia Othon Palace. O evento reuniu dirigentes de diversas
empresas do Pólo Industrial de Camaçari, representantes de
Organizações Não Governamentais; governantes; pesquisadores;
jornalistas, entre outros.
Promovido pelo Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic),
como parte das comemorações dos 30 anos do Pólo Industrial
de Camaçari, o evento teve como palestrantes o físico José
Gol-demberg, presidente da Comissão Especial de Bioenergia
do Estado de São Paulo; o professor Ednildo Torres, da
Escola Politécnica da UFBA; Leandro Bevenuti, responsável
pela área de Biocombustíveis da Ford, e George Dias Mendes,
gerente de Implementação de Biodiesel da Petrobras.
Em sua apresentação, José Goldemberg abordou os Caminhos e
Possibilidades da Bioenergia no Brasil defendendo o uso do
etanol como substituto da gasolina, a utilização da
cana-de-açúcar como matriz energética, o aproveita-mento do
bagaço da cana na produção de etanol, e a expansão do
cultivo de cana-de-açúcar sem prejudicar outras plantações.
Na ocasião também foram discutidas questões relativas à
produção de etanol a partir de mandioca, beterraba, batata
doce, etc.; modificação genética de cana-de-açúcar, e o
avanço das plantações de cana em áreas florestais.
Ednildo Torres trouxe como tema a Utilização de Biomassa
para Produção de Combustíveis e Energia Elétrica. Em sua
apresentação ele defendeu o aproveitamento de resíduos na
indústria. “O enfoque nosso é resíduos, esse é o que nós
temos interesse. Um dos nossos objetivos é aproveitar
exatamente cerca de 35% do que é jogado fora na forma de
casca e galhos”, afirmou.
Já Leandro Bevenuti apresentou os resultados parciais de um
projeto piloto que avalia a eficiência dos biocombustíveis
na indústria automotiva. Desenvolvido na Bahia o projeto
avaliou o desempenho de seis veículos Ford Ranger, onde
durante um ano, eles percorreram 100 mil km, dois deles
utilizando diesel, dois diesel acrescido de 5% de óleo de
mamona e os demais utilizaram diesel com 5% de óleo de soja.
As análises ainda não foram concluídas, mas os resultados
par-ciais demonstram que não houve nenhuma interferência no
desem-penho dos veículos. “As conclusões preliminares que a
gente tem é que não existe, por enquanto, nenhuma evidência
de que o uso de óleo de soja ou de mamona vai causar
problemas nesses veículos que foram testados”, afirmou
Bevenuti.
Por fim, George Dias Mendes falou sobre os Investimentos em
Bioenergia no Brasil, sobre os projetos que vem sendo
realizados na unidade da Petrobrás em Candeias,
aproveitamento de óleo de cozinha e programas de apoio a
agricultura familiar.
O painel contou ainda com a participação do jornalista
Gustavo Faleiros, do professor Osvaldo Soliano Pereira, da
Unifacs e Diretor do CBEM(Centro Brasileiro de Energia e
Mudanças Climáticas); Edgar Nunes, da Gerência de Tecnologia
da Braskem; Marconi Andraus, da Dow Brasil, e Beth Wagner,
diretora geral do CRA (Centro de Recursos Ambientais da
Bahia), que promoveram debates sobre os temas abordados
pelos palestrantes.
Ao término do evento o diretor da Escola Politécnica da
UFBA, Luís Edmundo de Campos, e o coordenador do Teclim -
Rede de Tecnologias Limpas da Bahia, Asher Kiperstok,
lançaram o livro Prata da Casa: Construindo Produção Limpa
na Bahia.
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