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Atualizado 23/02/2008
 
 
 
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 Vazamento de cianeto causa pânico em Jacobina

Um vazamento provocado na bacia de contenção da planta de beneficiamento da Jacobina Mineração e Comércio (JMC) no último dia 30, causou um reboliço no meio político e social de Jacobina durante a semana. O fato que poderia causar enormes prejuízos aos moradores da cidade que consomem água da Embasa e poderia causar sérios danos ao meio ambiente, teria passado despercebido se não fosse a coragem de um funcionário da empresa e a atuação pronta e responsável da imprensa jacobinense através de uma emissora de rádio.
O funcionário da empresa ligou para a Rádio Clube Rio do Ouro dizendo que tinha ocorrido um vazamento na barragem de contenção da empresa e que a mesma havia decidido não comunicar o ocorrido aos órgãos interessados e responsáveis pela fiscalização. De posse da informação, radialistas da emissora comunicaram o fato ao gerente regional da Embasa, Augusto César Souza Oliveira, que confirmou que não fora avisado do ocorrido. A partir daí todo um trabalho foi feito no sentido de elucidar o fato.
Uma reunião a portas fechadas na sede da empresa, sem a presença da imprensa, presente no local, decidiu por uma visita à barragem e acabou gerando protestos por parte de vários prepostos que não puderam acompanhar os representantes da JMC até o local do vazamento. A intenção da empresa, segundo as pessoas que acompanharam o fato, era dificultar ao máximo que as informações chegassem até a sociedade e explicou que o problema realmente havia ocorrido, mas que não tivera proporções que pudesse contaminar o rio e, consequentemente, a água consumida por grande parte da população.
Suspensão do abastecimento - Como medida de precaução, a Embasa (Empresa Baiana de Águas e Saneamento S/A) suspendeu imediatamente o fornecimento de água proveniente da Barragem do Itapicuruzinho e encomendou a análise de amostras coletadas em alguns pontos para detectar os níveis de contaminação. Na segunda-feira, dia 2, foi divulgado um laudo pela Divisão de Controle de Qualidade da Embasa atestando que o nível de cianeto estava abaixo dos permitido pela legislação vigente. Acionados, os demais órgãos governamentais se pronunciaram demonstrando preocupação com o ocorrido.
Segundo Augusto César Souza Oliveira, gerente da Embasa, houve um extravasamento do material contendo cianeto para o rio Itapicuru-Mirim e assim que recebeu a informação, o fornecimento foi imediatamente suspenso. Ele afirmou que o monitoramento do produto foi feito e constatado que a população não corria risco de ser contaminada pelo produto. Ele não soube informar se com o tempo isso pode trazer maiores problemas para quem consome a água da Embasa, “somente um químico poderia falar sobre isso”, disse.
Empresa pode ser punida - O representante do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) na região, lotado na agência de Juazeiro, Jeferson Sampaio afirmou que assim que recebeu a denúncia se deslocou para Jacobina e está acompanhando de perto os fatos. Ele afirmou que o produto é altamente tóxico, podendo causar até morte. Ele disse ainda que o Centro de Recursos Ambientais (CRA), juntamente com o Ibama, vai fazer um monitoramento das ações da JMC e continuará coletando informações para apurar o que de fato ocorreu, podendo a empresa ser punida.
O coordenador do Meio Ambiente de Jacobina, Ivanilton de Araújo Aquino disse que assim que tomou conhecimento do vazamento foi até a empresa e fez uma requisição para uma visita à área e constatou a veracidade da informação. Ele informou que foi formada uma comissão para apurar possíveis danos à fauna e à flora e estudar mecanismos punitivos para empresa se constatar que houve irregularidades. Aquino informou também que a Vigilância Sanitária está solicitando novos exames da água do entorno para saber se a população corre algum risco.
Versão da JMC - Em entrevista ao jornal Primeira Página, Eder Santos, gerente corporativo de Meio Ambiente da JMC, afirmou que na sexta-feira, dia 30, pela manhã, a empresa detectou o vazamento de rocha moída na bacia de contenção da planta de beneficiamento. "Prontamente, a equipe paralisou as operações da planta e iniciou o monitoramento da qualidade da água do rio Itapicuruzinho e da barragem da Embasa", afirmou Santos. Segundo ele, o monitora-mento da água faz parte da rotina da JMC e, por conta da ocorrência, foi intensificado. "A construção de outro tanque de contenção será providenciada como medida preventiva", garantiu.
Eder Santos informou que de acordo com as análises de água realizadas pela JMC, não foram causados danos ao meio ambiente e, em nenhum momento, a saúde da população de Jacobina esteve em risco por conta do ocorrido. "A JMC lamenta o ocorrido e afirma que faz parte de sua missão respeitar os princípios de saúde, segurança e meio ambiente, proporcionando aos colaboradores e comunidades melhoria na qualidade de vida", ressaltou.
 


 
 
 
 
 
 
 
 

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