Vazamento de
cianeto causa pânico em Jacobina

Um vazamento provocado na bacia de contenção
da planta de beneficiamento da Jacobina Mineração e Comércio
(JMC) no último dia 30, causou um reboliço no meio político
e social de Jacobina durante a semana. O fato que poderia
causar enormes prejuízos aos moradores da cidade que
consomem água da Embasa e poderia causar sérios danos ao
meio ambiente, teria passado despercebido se não fosse a
coragem de um funcionário da empresa e a atuação pronta e
responsável da imprensa jacobinense através de uma emissora
de rádio.
O funcionário da empresa ligou para a Rádio Clube Rio do
Ouro dizendo que tinha ocorrido um vazamento na barragem de
contenção da empresa e que a mesma havia decidido não
comunicar o ocorrido aos órgãos interessados e responsáveis
pela fiscalização. De posse da informação, radialistas da
emissora comunicaram o fato ao gerente regional da Embasa,
Augusto César Souza Oliveira, que confirmou que não fora
avisado do ocorrido. A partir daí todo um trabalho foi feito
no sentido de elucidar o fato.
Uma reunião a portas fechadas na sede da empresa, sem a
presença da imprensa, presente no local, decidiu por uma
visita à barragem e acabou gerando protestos por parte de
vários prepostos que não puderam acompanhar os
representantes da JMC até o local do vazamento. A intenção
da empresa, segundo as pessoas que acompanharam o fato, era
dificultar ao máximo que as informações chegassem até a
sociedade e explicou que o problema realmente havia
ocorrido, mas que não tivera proporções que pudesse
contaminar o rio e, consequentemente, a água consumida por
grande parte da população.
Suspensão do abastecimento - Como medida de precaução, a
Embasa (Empresa Baiana de Águas e Saneamento S/A) suspendeu
imediatamente o fornecimento de água proveniente da Barragem
do Itapicuruzinho e encomendou a análise de amostras
coletadas em alguns pontos para detectar os níveis de
contaminação. Na segunda-feira, dia 2, foi divulgado um
laudo pela Divisão de Controle de Qualidade da Embasa
atestando que o nível de cianeto estava abaixo dos permitido
pela legislação vigente. Acionados, os demais órgãos
governamentais se pronunciaram demonstrando preocupação com
o ocorrido.
Segundo Augusto César Souza Oliveira, gerente da Embasa,
houve um extravasamento do material contendo cianeto para o
rio Itapicuru-Mirim e assim que recebeu a informação, o
fornecimento foi imediatamente suspenso. Ele afirmou que o
monitoramento do produto foi feito e constatado que a
população não corria risco de ser contaminada pelo produto.
Ele não soube informar se com o tempo isso pode trazer
maiores problemas para quem consome a água da Embasa,
“somente um químico poderia falar sobre isso”, disse.
Empresa pode ser punida - O representante do Ibama
(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis) na região, lotado na agência de
Juazeiro, Jeferson Sampaio afirmou que assim que recebeu a
denúncia se deslocou para Jacobina e está acompanhando de
perto os fatos. Ele afirmou que o produto é altamente
tóxico, podendo causar até morte. Ele disse ainda que o
Centro de Recursos Ambientais (CRA), juntamente com o Ibama,
vai fazer um monitoramento das ações da JMC e continuará
coletando informações para apurar o que de fato ocorreu,
podendo a empresa ser punida.
O coordenador do Meio Ambiente de Jacobina, Ivanilton de
Araújo Aquino disse que assim que tomou conhecimento do
vazamento foi até a empresa e fez uma requisição para uma
visita à área e constatou a veracidade da informação. Ele
informou que foi formada uma comissão para apurar possíveis
danos à fauna e à flora e estudar mecanismos punitivos para
empresa se constatar que houve irregularidades. Aquino
informou também que a Vigilância Sanitária está solicitando
novos exames da água do entorno para saber se a população
corre algum risco.
Versão da JMC - Em entrevista ao jornal Primeira Página,
Eder Santos, gerente corporativo de Meio Ambiente da JMC,
afirmou que na sexta-feira, dia 30, pela manhã, a empresa
detectou o vazamento de rocha moída na bacia de contenção da
planta de beneficiamento. "Prontamente, a equipe paralisou
as operações da planta e iniciou o monitoramento da
qualidade da água do rio Itapicuruzinho e da barragem da
Embasa", afirmou Santos. Segundo ele, o monitora-mento da
água faz parte da rotina da JMC e, por conta da ocorrência,
foi intensificado. "A construção de outro tanque de
contenção será providenciada como medida preventiva",
garantiu.
Eder Santos informou que de acordo com as análises de água
realizadas pela JMC, não foram causados danos ao meio
ambiente e, em nenhum momento, a saúde da população de
Jacobina esteve em risco por conta do ocorrido. "A JMC
lamenta o ocorrido e afirma que faz parte de sua missão
respeitar os princípios de saúde, segurança e meio ambiente,
proporcionando aos colaboradores e comunidades melhoria na
qualidade de vida", ressaltou.
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