Sem-teto fazem protesto
em
frente a Prefeitura de Camaçari

Na última segunda-feira (26), um grupo de
sem-teto de Camaçari fizeram um protesto em frente a
prefeitura municipal. O motivo das reclamações foi que a
Seplan (Secretaria de Planejamento), acompanhada da Polícia
Militar, promoveu a demolição dos barracos construídos de
madeira e plásticos em terreno invadido no bairro de Maria
Meire.
Um morador que não quis se identificar, disse que no momento
da derrubada das moradias, os fiscais ameaçavam tomar os
objetos pessoais e levaram ferramentas como enxadas e
facões.
De acordo aos desabrigados, o loteamento foi invadido por
168 famílias, todas cadastradas na prefeitura para garantia
de moradia. Alguns disseram que esperam suas casas há mais
de oito anos e já estão formando uma associação para defende
o direito de ter um lugar para morar. “O maior medo é que
batem na gente. Estão derrubando nossos barracos desde
sábado e se filmar eles tomam o celular”, disse um dos
invasores.
Segundo informações, algumas pessoas se recusaram a sair do
barraco com as crianças, e a moradia foi derrubada assim
mesmo. “Derrubaram um barraco com uma criança de 12 anos,
tomando remédio e sem condições de pagar aluguel, de lá
agente não sai, sou deficiente e não tenho pra onde ir”,
desabafou Zé Mário. “Essa terra nunca foi vendida, Jesus
vendeu alguma terra? Ele fez os terrenos para todo mundo”,
argumentou o pedreiro Francisco Ramos, 36 anos, que também
faz parte do movimento dos sem-teto.
O pedreiro desempregado Gervásio dos Santos, 45 anos, disse
que já cercou o terreno por três vezes e a polícia derrubou.
Os manifestantes gritam palavras de ordem como “chega” e
“queremos moradia” no intuito de chamar a atenção das
autoridades para o problema. O carroceiro Paulo de Farias,
40 anos, disse que não podia dormir na rodoviária e nem na
carroça por causa da chuva, "estou na rua”.
A Secretaria de Planejamento justificou a demolição dos
barracos pelo fato dos sem-teto terem invadido uma área de
preservação ambiental, no uso legal do parágrafo 1º, artigo
40, da Lei Federal de Crimes Ambientais nº 9.605/98.
De acordo a Seplan, o terreno faz parte do Ziap (Zona de
Importância Ambiental e Paisagista), zoneada pelo PDDU
(Plano do Desenvolvimento Diretor e Urbano). A localidade
faz parte do anel florestal e contém várias nascentes,
inclusive a do Rio Camaçari. “A lei faculta uma distância de
preservação permanente mais longe. Eles já degradaram a
vegetação nativa e se essas nascentes forem destruídas, fica
impossível a recuperação dos rios”, disse David Rios,
coordenador da Seplan. A secretaria informou ainda que o
Morro da Manteiga, situado nos fundos da área invadida, está
sendo recuperado de um lado, e do outro está sendo degradado
pelos sem-teto.
.gif) |