Preço do gás de cozinha
vendido
em Jacobina gera manifestação

O preço do gás de cozinha em Jacobina é o
mais caro da Bahia. A denúncia foi feita durante uma reunião
para discutir o preço abusivo do gás de cozinha praticado na
cidade, com a participação de representantes de várias
entidades de classe, realizada na noite da última
terça-feira(27), no auditório do Centro Cultural de
Jacobina, e que contou com cerca de 300 pessoas.
A população está revoltada com o preço do botijão de gás de
13 quilos que está sendo comercilizado a R$ 38,00, enquanto
que em outras cidades o preço pode chegar a menos de R$
30,00, como é caso de Cafarnaum, conforme informou Carlos
Alberto, um dos participantes da reunião.
Durante a reunião, que durou cerca de 3 horas, muitos
consumidores se manifestaram contra o que eles classificam
de cartelização do gás de cozinha. Com 90 anos de idade e
dificuldade em caminhar, o aposentado Davi Bispo de Souza,
mais conhecido como Mestre Davi, fez questão de usar o
microfone para criticar os revendedores de gás de Jacobina.
"Eles pensam que somos ignorantes; eles estão nos
assaltando", disparou Mestre Davi. Já o radialista Geraldo
Oliveira, em tom irônico, desabafou: "Um botijão a 'treizotão'
é um assalto à mão armada."
A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de
Jacobina, Dejanira Mendes destacou a importância de se unir
forças para enfrentar o problema. "Para que nossa cidadania
seja exercida, precisamos estar organizados. Vamos às ruas
mostrar que nós estamos sendo lesados pelas revendedoras de
gás", desabafou a sindicalista.
Manifestação - O aumento abusivo do Gás Liqüefeito de
Petróleo (GLP) ou gás de cozinha, culminando com uma suposta
cartelização dos preços do produto, levou os jacobinenses a
realizarem ontem(30) pela manhã, uma grande passeata de
protesto que saiu do Alto da Missão, passou pelas ruas
centrais da cidade e encerrou em frente ao prédio do
Ministério Público. Cerca de 900 pessoas participaram da
manifestação, que contou ainda com representantes de várias
entidades. Os manifestantes, tendo à frente presidentes de
associações de bairros e de sindicatos, além do frei
Petrônio de Miranda, se dirigiram à sede do Ministério
Público onde foram recebidos pelo promotor José Jorge
Meireles de Freitas.
O presidente da Federação de Associações de Bairros de
Jacobina e Distritos, Glériston Macedo informou que a
entidade vai impetrar com ação civil pública contra "a
cartelização do gás" em Jacobina.
Colusão - De acordo com o professor de DireitoAntonio Carlos
de Lima, os cartéis diferem de outras práticas
anticoncorrenciais por não apresentar qualquer contrapartida
econômica positiva. "Existem incentivos à colusão,
notadamente os acréscimos de lucros derivados da eliminação
das incertezas da competição, como é o caso da distribuição
e venda de combustíveis", explica.
Segundo Lima, os setores mais propensos à formação de cartel
são os de combustíveis, remédios, minérios, cítricos,
serviços de táxi, material fotográfico, bem como gases
industriais, insumos para a longo prazo. "Os cartéis reduzem
a competitividade da atividade envolvida, uma vez que
eliminaram a pressão por inovações e pela obtenção de
eficiência; também implicam aumento de preços, em prejuízo
dos consumidores", afirma.
Pena de reclusão - No Brasil, essa prática anticoncorrencial
é vedada, inclusive na esfera penal. É caracterizada por
qualquer tipo de combinação entre empresas que estejam
restringindo a livre concorrência. O artigo 4º da Lei nº
8.137/90 a inclui no capítulo dos crimes contra a ordem
econômica, o que prevê uma pena de reclusão de um a cinco
anos.
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