Embrapa e Ebda querem
melhorar a qualidade e
a produtividade do alho do Vale de Taquarendi

Cerca de 80 produtores de alho das
localidades de Taquarendi e Caatinga do Moura participaram
no último dia 2, no auditório da Câmara Municipal de
Vereadores de Mirangaba, de uma palestra ministrada pelo
pesquisador da Embrapa Hortaliças de Brasília-DF, Francisco
Vilela Resende. Durante o encontro, vários temas foram
abordados, a exemplo do vírus do alho, preparo e manejo do
solo, melhoria da qualidade e produtividade do alho, novas
tecnologias, entre outros.
Vilela destacou a importância de o produtor produzir sua
própria semente livre do vírus e promover sua multiplicação.
"É muito mais seguro e confiável, por se tratar de uma
semente de procedência", disse. O pesquisador deixou clara a
sua preocupação com a concorrência do alho chinês que já
domina cerca de 80% do mercado nacional. "Temos que
trabalhar o melhora-mento genético e sanitário do alho para
podermos competir com qualidade e produtividade", alertou.
Segundo Vilela, o preço baixo do alho chinês e o avanço
sobre o mercado brasileiro, podem prejudicar os produtores e
comprometer milhares de emprego pelo país.
Após o plantio, entre março e junho, a fase da colheita no
Vale do Taquarendi começa em julho e vai até outubro. No
local, particular-mente, o salto na produção é resultado do
apoio técnico e do trabalho de melhoramento genético e
sanitário que vem sendo promovido desde 2003 pela Empresa
Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e pela Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que
apresentaram ao produtor novas variedades de sementes de
alho.
A Embrapa trouxe a chamada semente isenta de vírus,
denominada de alho “amarante”, enquanto a empresa baiana
introduziu a variedade “roxo pérola de caça-dor”, cultivada
no Sul do país e conhecida como alho “vernalizado”. A
nomenclatura se deve ao processo de vernalização pelo qual
as sementes de alho são submetidas antes do plantio.
Através dele, a semente é colocada na chamada câmara de
vernalização, localizada no próprio distrito de Taquarendi,
onde fica a temperaturas de 2ºC a 5ºC por 45 a 55 dias. O
choque frio funciona como um catalisador no processo de
maturação do alho, o que acelera a sua germinação e aumenta
a sua produtividade.
“Após a vernalização, a semente é plantada e já deve estar
germinando em dois dias”, explicou Gilson Pedro de Amorim,
chefe do escritório da EBDA em Taquarendi. Ele explica ainda
que as duas variedades estão sendo utilizadas em
substituição à semente “cateto roxo”, de baixa produtividade
e de baixo poder germinativo. O alho de Taquarendi é vendido
em Jacobina e também em outros estados, como Sergipe,
Alagoas e Piauí. A diferença básica entre o alho “amarante”
e o alho “vernalizado” é justamente a forma de
comercialização. Enquanto o “amarante” é vendido em
rés-tias, os bulbos do alho “verna-lizado” são empacotados e
vendidos em saquinhos.
Em Taquarendi, a plantação e a colheita do alho geram 600
empregos diretos. Levando em conta a comercialização do
produto, alcança-se a marca de 3,5 mil postos de trabalho. A
mão-de-obra é formada por trabalhadores rurais que praticam
a agricultura de subsistência..
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