Associação luta por
camelódromo

Os vendedores ambulantes de Camaçari
se uniram e fundaram a Associação dos Vendedores Ambulantes
de Camaçari (ADVADEC), que serve para a defesa da classe e
tem inscrição cadastral com data de abertura de 3 de julho
de 2007. As atividades da entidade estão voltadas para a
organização e associativismo, ligadas a cultura e arte. A
ADVADEC fica localizada na rua Goiás, nº 29, no centro de
Camaçari.
O objetivo da associação é adotar medidas para vários
problemas em que diz respeito ao bem-estar dos vendedores
ambulantes. Marcos Brito Silva, 30 anos, vendedor de doces,
é o presidente da ADVADEC. Em entrevista ao jornal Primeira
Página, ele disse que vai lutar para adquirir um espaço para
os ambulantes que sofrem com a falta de apoio, pois o
Camelódromo do Centro Comercial não tem capacidade física
para acolher a todos os trabalhadores do ramo. “Alguns
ambulantes que não foram contemplados ainda estão em vias
públicas”, disse Silva.
A meta da associação é melhorar a qualidade de vida dos
camelôs, com um espaço em que eles possam se organizarem. O
Mercosul Camelódromo serviria como a Central dos Ambulantes,
“não para trazer a barraca para cá, mas sim, ter um local
para cursos, geração de emprego e renda, creche para os
filhos dos ambulantes não ficarem nos pés das barracas”,
salientou Silva. Os associados pretendem ainda cadastrar os
trabalhadores e distribuir uma carteirinha que permite a
compra de refeições no valor de R$ 1,00 em um restaurante
popular que poderá ser montado no local, além de uma área de
lazer e construção de guarda-volume, trancados com cadeados
para evitar furtos, além de uma oficina de arte.
Marcos Silva disse que a entidade vai precisar de verba para
cobrir o orçamento para manter o funcionamento do espaço,
com energia elétrica, água e um novo sistema de ventilação,
pois o Mercosul Camelódromo tem um ar seco e quente. Um
camelô que não quis se identificar, disse que o espaço não
serve para colocar as barracas dos vendedores, e que as
pessoas não entrariam para comprar pelo fato do lugar fazer
muito calor, “pois na rua, ao ar livre, o vendedor fica
parado e o cliente vai passando e compra porque achou
bonito. A figura do ambulante é na rua, antes era mascate,
depois caixeiro viajante, camelô e agora vendedor ambulante,
se não descaracteriza esse histórico", explicou.
Segundo Silva,no shopping as pessoas já saem pré-destinadas
a fazerem compras e cada um tem seu papel. Não existe rapa
na cidade, mas de acordo a ADVADEC estão chegando camelôs de
outras cidades. “Estamos montando o Projeto Cidadão, pois
Camaçari precisa reconhecer os que votam aqui, e nosso grito
de guerra é: somos ambulantes, somos votantes!”, disparou
Silva. A entidade está montando uma campanha de verificação
de denúncias contra abuso de poder por parte dos fiscais da
prefeitura. "Quero lutar pelos direitos deles, estou com um
abaixo-assinado com 500 assinaturas, pedindo a devolução dos
espaço Mercosul Camelódromo para instalação da sede. No
espaço tem que ter lugar para tomar banho, fazer refeições e
estudar os cursos que serão implantados”, conclui Silva.
Segundo Neide Moraes da Silva, 52 anos, as melhorias são
sempre bem-vindas, porque, como ela mesmo explicou, "tendo
um lugar para guardar as mercadorias será melhor para nós e
para os transeuntes."
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