Reflexão através dos muros

A pesquisa, o ensino e a atuação nas áreas
de urbanização e paisagismo fazem com que a artista plástica
Aruane Garzedin tenha um olhar aguçado para as ruas. Na
exposição Membranas da Cidade, em cartaz desde o dia 10 na
Caixa Cultural Salvador, por exemplo, ela busca inspiração
nos muros. Para Aruane, eles permitem muitas leituras e
revelam intenções que vão além da mera função de proteção.
Principalmente aqueles bem antigos, testemunhas de muitas
histórias, intervenções, agressões...
Aruane conta que seu interesse pelo espaço urbano já é
antigo. Na dissertação de mestrado na Faculdade de
Arquitetura da Ufba, na qual é professora, ela estudou as
calçadas de Salvador. Na de doutorado, na Universidade de
Barcelona, os espaços públicos da capital baiana entre as
décadas de 1930 e 1970. A reflexão sobre os muros foi
canalizada em 11 telas grandes, que receberam sobreposições
de tinta acrílica e agora deslocam a discussão para o espaço
da galeria.
“O que busco é um olhar sensível sobre a cidade, explorar e
expressar os significados da cidade contemporânea”, afirma
Aruane. Com a escalada do medo, reflete, os muros têm ficado
cada vez mais altos, como se eles pudessem criar uma
impermeabilização, o que ela chama de membranas, dividindo
“o mundo entre o que pode ser visto e o que se pretende
ocultar”.
Além dessa reflexão subjetiva, o trabalho também expressa
manifestações como inscrições variadas, fragmentos de arte
urbana (graffite, colagens), numerações ou elementos
decorativos como gradis, persianas, portas de garagens,
frisos e sobras de azulejos. As informações aparecem
misturadas, sobrepostas umas às outras como velhas paredes
que já testemunharam muitos fatos, inclusive com as falhas e
imperfeições causadas pela ação do tempo.
O efeito é conseguido com a utilização de muitas camadas de
tintas, sem um planejamento prévio. “Ao contrário do
trabalho do arquiteto, com esta técnica vou fazendo
sobreposições sem saber exatamente como iria terminar”, diz
Aruane. Ela optou por uma cartela de cores que passa pelo
ocre, marrom, azul e vermelho, mas que traduz uma certa
uniformidade dos tons pastéis.
Membranas da cidade foi um dos projetos selecionados no
edital de 2007 da Caixa Cultural. O trabalho traz a artista
plástica de volta ao universo das individuais. Ela tem
participado de várias coletivas, mas a última exposição solo
em Salvador foi em 1998, na Frazão Galeria de Arte. Em
Barcelona, expôs, entre 1999 e 2000, em espaços como
Matinada Galeria de Arte, Espaço Cultural Fidels, Centro
Cultural Casals Sarrià e Centro Cultural Porta Soller.
FICHA
Exposição: Membranas da Cidade
Artista: Aruane Garzedin
Onde: Caixa Cultural Salvador (Carlos Gomes)
Visitação: até o dia 18 de maio, de terça a domingo, das 9h
às 18h
Ingresso: entrada franca
(Fonte: Correio da Bahia).
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