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Uneb discute violência contra a mulher em Jacobina


 Considerado um dos mais graves problemas sociais de Jacobina, a violência contra as mulheres voltou a ser debatida, desta vez, durante o "Seminário Interdepartamental Gênero: Raça e Diversidade", promovido pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o apoio da 16a Diretoria Regional de Saúde (16a Dires), com a participação de profissionais das áreas da saúde, educação, segurança, jurídica, acadêmica, além de estudantes secundaristas e de representantes de movimentos sociais e comunitários. “O seminário se insere na campanha internacional de luta pelo fim da violência contra as mulheres, que acontece em 130 países, há mais de 17 anos”, disse Jacimara Souza Santana, professora de História do Campus IV da Uneb e coordenadora da Promoção da Eqüidade em Saúde da Sesab, bem como expositora do tema “Racismo e Violência na Saúde”, durante a mesa-redonda realizada na abertura do evento, que aconteceu segunda-feira(3), no Campus IV/Uneb. Houve apresentação do Terno de Tabaroas (bairro da Bananeira), do Reisado de Itaitu e caruru.
Na terça-feira(4), dividido em grupos, o público presente teve a oportunidade de participar das oficinas que discutiram questões relacionadas ao papel das mulheres na organização sociocultural e política; às relações de gênero nas religiões de matriz africana; a estratégias de enfrentamento à violência doméstica, exploração sexual infantil e à mortalidade materna, entre outras. No segundo dia, aconteceu ainda uma mesa-redonda com representantes governamentais. Estiveram presentes no evento, o delegado de polícia Henrique Morais, entre outras autoridades, e as enfermeiras Laura Emmanuela Costa e Cleuma Suto, entre outras defensoras dos direitos da mulher.
Dever do Estado - Para Jacimara, o seminário é “uma contribuição para que a questão da violência contra as mulheres se torne um dever do Estado em combater o problema”. A realização do evento faz parte de uma ampla programação que começou no Campus I, em Salvador, no dia 26/11, estendendo-se pelos campi de Santo Antônio de Jesus, Conceição do Coité e Serrinha, entre os dias 27 e 30/11, encerrando-se em Jacobina, onde, segundo ela, “foram apontadas situações gravíssimas” de violência contra a mulher e altos índices de mortalidade materna entre “mulheres negras, pobres e de periferia” e de violência doméstica. As atividades desenvolvidas no seminário, proporcionaram resultados teóricos e práticos, já que o evento não teve somente um caráter acadêmico. “Discutimos pesquisas relacionadas à questão de gênero, desigualdades entre homens e mulheres, inferioridade da mulher - questões culturais impregnadas nestas relações”, explicou Jacimara, mas também foram elaboradas propostas políticas de intervenção no enfrentamento à violência infantil e doméstica e de redução da mortalidade materna, que serão encaminhadas à Promotoria Pública, 16a Dires e Secretaria Municipal de Trabalho e Ação Social. “Estaremos entregando este documento final para que sejam tomadas as devidas providências, com vistas à implementação dessas propostas”, garantiu.
Cultura patriarcal - Embora existam diversos tipos de violências domésticas, as que se apresentam em maior número são as violências conjugais, marcadas pela dominação social e histórica do homem em relação à mulher. Romper com esta violência é um processo difícil, que envolve a superação de muitas barreiras, entre as quais, a da dependência afetiva e a da econômica. A maioria das vítimas da violência de gênero não denuncia ou, quando o faz, não dá continuidade aos processos criminais contra seus agressores, impedindo que eles sejam punidos e que seja interrompido o ciclo de violência. “As condições sócio-econômicas impedem que as mulheres, muitas vezes, dêem prosseguimento aos processos de agressão. Essas mulheres, algumas vezes, chegam a dar queixa e não prosseguem”, denunciou Jacimara Santana.
Existe ainda, segundo ela, “uma cultura de inferiorização da mulher, de passividade e de naturalização desta violência, uma cultura de masculinidade, que afirma o poder absoluto do homem sobre a mulher. Então, violentá-la parece ser um direito do marido. Os processos são, em grande parte, desqualificados como violência contra as mulheres por causa dessa cultura patriarcal, desse acordo culturalmente construído da masculinidade”, declarou. Há, portanto, uma relação direta entre a dependência econômica e a dificuldade em denunciar e processar o agressor, quando se trata de violência contra a mulher. “A questão socioeconômica interfere. Por isso é que as secretarias de políticas para mulheres brigam por casas de abrigo, por que as mulheres não podem continuar convivendo dentro do mesmo espaço com o seu ‘inimigo’, seu marido agressor que se tornou inimigo. Ela precisa sair deste ciclo, pelo menos, por algum tempo”, constatou a professora.

 


 :: Reportagens policiais
 
 O sindicalista Antonio Durvalino da Cruz (foto), 46 anos, natural de Mirangaba, foi morto a golpes de porrete na noite do último dia 5.
 
  Ontem, a Polícia Militar prendeu o ajudante de eletricista Jailton Oliveira Silva (foto), 35 anos, o Jai, principal suspeito do crime.

 

 
 
 
 

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