Obras de esgotamento vão
recomeçar, garante engenheiro

As obras do sistema de esgotamento sanitário de
Jacobina que tinham previ-são de serem entregues em outubro
do ano passado e não foram concluídas no governo Paulo
Souto, podem ir por água abaixo com as chuvas que começam a
cair na região.
Os canteiros de obra estão abandonados e as manilhas
coletoras estão empilhadas nas proximidades do Terminal
Rodo-viário. A obra que a princípio foi orçada em 22 milhões
de reais, acabou recebendo menos de nove milhões e foi
iniciada com atraso depois de muita discussão entre a
prefeitura, a Embasa e a sociedade, pois em 2005 o prefeito
de Jacobina, Rui Macedo, ao tomar conhecimento do projeto e
saber que não contemplaria toda a cidade, fez uma proposta
no sentido de levar os benefícios para toda a população,
para isso cedia, como o fez, a rede de saneamento da
prefeitura.
A Embasa, na época, ficou de analisar a proposta e dar uma
resposta e não o fez, mesmo assim, após algumas audiências
públicas a obra teve início com a estimativa de atender
33.530 habitantes, algo em torno 65% da população. Com a
proximidade das eleições de 2006, a Embasa passou a tocar as
obras numa espécie de operação tartaruga, até paralisar
totalmente com a derrota do então governador Paulo Souto
que, como precisava entregar o governo em ordem, congelou
essa e outras obras no estado.
"Assim que tomou posse, o governador Jaques Wagner fez um
levantamento e descobriu várias irregularidades na condução
da obra e resolveu cancelar a licitação, fazendo outra em
seguida e quando veio ao município inaugurar o Programa Água
para Todos disse que as obras seriam retomadas em breve.
Embora sabendo que depois de pronta vai gerar um aumento de
80% nas contas dos usuários, a obra é imprescindível para o
município", disse uma fonte ligada ao governo.
A rede de esgoto está matando os rios de Jacobina e causando
vários prejuízos ao meio ambiente e à saúde da população
que, impo-tente, nada pode fazer. Quando estiveram aqui no
início de 2006, os técnicos da Embasa disseram que mesmo com
essa obra o problema da poluição dos rios não terminaria, já
que com a redução do projeto apenas uma parte do esgoto será
tratada e o rios vão continuar sendo poluídos pela outra
parte não tratada.
Na época foi sugerido que o prefeito de Jacobina fizesse a
outra parte restante, mas a prefeitura não tinha recursos
para bancar a obra. Em entrevista à reportagem do Primeira
Página, o prefeito informou que conseguiu junto ao
Ministério da Integração Nacional, uma verba para fazer o
desassoreamento do Rio Itapicuru-Mirim, no trecho que corta
o centro da cidade, mas fez menção à questão do esgotamento
sanitário. A reportagem tentou ouvir o gerente da Embasa em
Jacobina sobre a retomada dos trabalhos, mas foi informada
que o mesmo estava viajando.
A secretária do gerente passou o número do telefone da
empresa em Salvador, dizendo que lá poderia obter maiores
informações. Foi mantido contato com várias pessoas que
informaram que o responsável era o engenheiro Paulo
Magalhães, gerente do Departamento de Obras da Região Norte.
A reportagem entrou em contato com ele e foi informada que o
motivo da paralisação da obra não foi a derrota do governo,
e sim, um problema contratual com a LJA - Construtora,
responsável pela obra.
Ele disse que em abril foi feita nova licitação e a empresa
vencedora foi a Seplan Engenharia que já foi contratada e
dada a ordem de serviço. Segundo ele, a empresa já está se
mobilizando para a instalação do canteiro de obras, mas não
soube dizer se a obra recomeçaria em uma semana ou em um
mês; o certo que está para recomeçar. Ele garantiu que nos
próximos dias a obra será reiniciada e levada a cabo
Um dos principais problemas que as cidades do nordeste
enfrenta é o de saneamento básico. Apenas as sedes
municipais de maior porte dispõem de redes públicas de
coleta, em pequena extensão e em áreas restritas da zona
urbana. Não existem sistemas de tratamento, sendo os esgotos
lançados in natura nas drenagens naturais. Nos últimos anos
vêm sendo implantadas redes coletoras de esgotos em vários
municípios da Bacia do Itapicuru, através de convênios entre
o Ministério do Bem-Estar Social e as prefeituras, mas ainda
falta muito para se chegar ao patamar desejável.
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