Rios que cortam Jacobina
estão em situação crítica

Não é necessário ser especialista no assunto,
mas somente uma observação atenta, para constatar que os
leitos do Rio ItapicuruMirim e o Rio do Ouro, que cortam o
centro de Jacobina, se encontram num avançado processo de
degradação, que vem se intensificando ao longo dos últimos
anos, devido a diversos fatores. A situação do Rio do Ouro é
tão precária que, recentemente, uma iniciativa da
Coordenação de Meio Ambiente, vinculada à Secretaria
Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, destacou-se na
cidade: o salvamento de alguns poucos exemplares de espécies
animais. De acordo com o coordenador Ivan Aquino, “com o
período prolongado sem chuvas, os recursos hídricos estão
cada vez mais escassos. O Rio do Ouro é um exemplo disso.
Com a escassez, a água fica sem oxigênio e os peixes começam
a morrer. Recebemos a denúncia que centenas de peixes
estavam agonizando. Resolvemos recolhê-los e transferi-los
para a Lagoa Antônio Teixeira Sobrinho, evitando assim uma
mortandade maior desses peixes.”
Aquino, no entanto, considerou que “o desmatamento da mata
ciliar (a vegetação que fica nas margens do rio) é um dos
principais problemas que afetam estes rios. Além disso, a
“retirada desordenada de areia e barro das margens e o lixo
jogado nos leitos também são problemas que afetam bastante
nossa bacia hidrográfica. Por estes motivos, a situação dos
nossos rios é caótica”, concluiu, referindo-se à Bacia
Hidrográfica do Rio Itapicuru, da qual fazem parte 46
municípios. Questionado sobre se os rios jacobinenses estão
definitivamente “mortos” ou se ainda há recursos para
reativá-los, Aquino respondeu: “Eu diria que estão na UTI,
mas tenho esperança de que a situação mude. O poder público
tem projetos para isso, mas nada vai dar certo se a
comunidade não fazer a sua parte, por exemplo, deixando de
desmatar a mata ciliar e de jogar lixo nos leitos dos rios”.
A preocupação em relação à preservação dos recursos hídricos
locais atinge os vários segmentos da sociedade, sendo
apontado, pelos entrevistados, o problema de poluição como
de maior gravidade no município. Foi o que afirmou o
geógrafo Ademário Dias, 33 anos, residente no centro da
cidade. Segundo ele, o lançamento dos resíduos domésticos
nos rios e riachos próximos à área urbana é um agravante
dessa situação e a utilização dessa água por pessoas
residentes a jusante dos focos tem uma grande conseqüência.
Ao ser questionado sobre a situação dos rios de Jacobina,
Dias apontou, como uma das soluções, a construção de uma
estação de tratamento de esgoto. “Somado a essa ação
inicial, penso que se deve realizar, constantemente,
campanhas de conscientização concernentes à produção e
destino dos resíduos domésticos”, advertiu.
Na opinião do técnico em Informática Dayvid Sena, 28 anos,
morador do bairro Bananeira, faltam políticas que visem
ações de saneamento e tratamento do esgoto da cidade, além
de fiscalização e monitoria do impacto ambiental nas
nascentes da Canavieira, onde é feita a exploração de
minério. Sena disse que a poluição dos rios afeta de muitas
maneiras a população, com doenças e a proliferação de
insetos, lembrando que “a poluição da água leva diversas
conseqüências às populações ribeirinhas, que necessitam da
água desses rios, como recurso de sobrevivência”. Para
melhorar a situação, Sena admite que “só falta articulação
política e social”, e que “devemos fazer nossa parte e
pressionar os governantes”. Eraldo Coimbra, 39 anos, gerente
de pós-vendas de uma concessionária de veículos, defende a
canalização da rede de esgotos e a limpeza constante dos
leitos como forma de minimizar a precária situação dos rios.
Ele fez uma relação entre a degradação ambiental e a saúde,
concluindo que “se não cuidamos da natureza dificilmente
vamos ter saúde”.
Esgotos que “matam” os rios de Jacobina - Não é apenas o mau
cheiro que invadiu o entorno, nem o aspecto de grande esgoto
a céu aberto, o principal alerta da grave situação destes
rios, mas o resultado de estudos sérios, realizados há pelo
menos sete anos. Um relatório publicado pelo Sistema
Estadual de Informações Ambientais da Bahia (Seia), a
respeito das campanhas de monitoramento da qualidade das
águas, realizadas nos meses de fevereiro, junho e agosto do
ano de 2000, concluiu que “dos 16 pontos monitorados na
Bacia do Rio Itapicuru, a qualidade da água apresentou-se
com qualidade ‘Boa’ a ‘Ótima’ na maioria deles”, no entanto,
em dois pontos de amostragem, no trecho Senhor do Bonfim e
Jaguarari e à jusante da cidade de Jacobina, “foram
classificados como de qualidade ‘Aceitável’, nos meses de
junho e fevereiro, respectivamente”.
O mesmo documento explicou que esta situação se justificava
“pelos altos valores de coliformes fecais e fosfato total,
em relação ao padrão estabelecido pelo Conama 20/86,
confirmando a poluição desses trechos do rio por esgotos
domésticos”. Ainda segundo o documento, "o extrativismo de
granito e de mármore tem provocado processo de assoreamento
nos recursos hídricos”, que sofre também com problemas
relacionados a desmatamentos.
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