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Audiência pública define cursos do Cefet


 Na última quarta-feira(14) a sociedade jacobinense pratica-mente definiu os cursos que serão implantados pelo Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (Cefet) em Jacobina a partir do próximo ano. Em audiência pública, a terceira ocorrida para discutir o assunto, diversos setores da sociedade organizada se fizeram presen-tes e durante três horas discutiram a viabilidade e as necessidades da região, visando dar subsídios aos representantes do Cefet na escolha dos cursos a serem implantados.
Uma comissão escolhida na segunda audiência pública ocorrida há pouco mais de um mês, sugeriu os cursos de Eletromecânica e Agropecuária, obedecendo a vocação natural da região com seu potencial agrícola e pecuário. Durante a audiência, no entanto, o loby em favor da mineração ganhou força e um dos diretores da Yamanna Corporation foi convidado a falar sobre as necessidades que a empresa tem de mão-de-obra qualificada. O diretor sugeriu a implantação de um curso de mineração.
Acompanhado de alguns trabalhadores da empresa, que manifestaram apoio a sua proposta, o diretor teve como aliados o prefeito de Ourolândia Antonio Araújo e alguns funcionários do alto escalão da prefeitura, entre eles, o secretário da Agricultura Jailson Cedraz. Os movimentos sociais presentes na audiência defenderam ardorosamente a escolha da co-missão. Os representantes do Cefet foram questionados pelo advogado Emmanuel Gomes (Dasca), presidente do Partido dos Trabalhadores, sobre a escolha do local.
Segundo Dasca, quando a coordenação escolheu o Centro de Treinamento e Aperfeiçoamento (CTA) ao invés da Escola Agrícola, já estava implícita a exclusão do curso de Agropecuária. Dasca disse que se objetivo do presidente Lula é criar as unidades do Cefet em lugares onde o índice de desenvolvimento humano é baixo, não justifica essa exclusão, "já que o setor agrícola, principalmente o da agricultura familiar, emprega infinitamente mais pessoas que a mineração". O representante do Cefet admitiu que não é a prática da instituição dirigir cursos na área de agricultura e pecuária e que estaria iniciando uma experiência nova em Jacobina, caso fosse aprovado o curso de mineração.
O presidente do Sindicato dos Bancários, José Lages lembrou que os bancos que antigamente financiavam a agricultura, hoje não o faz mais e com isso o homem do campo vem perdendo cada vez mais seu referencial, sendo obrigado a viver de salários de fome. Segundo ele, investir em cursos de mineração é um risco que não vale a pena correr, pois o capital especulativo não dá garantia de permanência dessa empresa no município, uma vez que várias outras passaram por aqui. “Quando menos se espera, fecham-se as portas e os trabalhadores ficam a ver navios”, afirmou.
Outras vozes se levantaram em defesa da agricultura como forma de fixar o homem no campo, evitando o êxodo rural. O representante da Uneb na audiência, professor José Alves ponderou que o curso de Agropecuária seria muito interessante nesse sentido e que percebia que com o curso de Eletromecânica o setor de mine-ração já estava contemplado. O prefeito Rui Macedo, que presidiu a mesa de debate, não manifestou sua opinião nem preferência, intermediando a mesa de forma isenta, embora os seus subordinados tivessem posição fechada favoravelmente à mineração.
Esse foi último debate público sobre o tema e os técnicos do Cefet definirão, baseados nas discussões, quais serão de fato os cursos em que Jacobina e região serão contempladas. Além de Jacobina e Ourolândia, os municípios de Miguel Calmon e Mirangaba se fizeram representar na audiência pública.
 
 


 
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