Estragos feitos pela chuva
de fevereiro
em Jacobina ainda não foram reparados

Os estragos provocados pelas fortes chuvas
que caíram em Jacobina no dia 21 de fevereiro deste ano,
ainda podem ser vistos em algumas ruas da cidade. Parte do
muro de contenção construído na Rua Saturnino Libanês, no
bairro da Bananeira, na gestão passada, desabou e deixou
algumas casas parcialmente soterradas na Rua Coronel
Fulgêncio de Figueiredo. Os moradores culpam a falta de
eficiência técnica da obra. Temendo uma tragédia maior, as
famílias das casas atingidas se mudaram para outras casas,
distantes do local.
"Passados mais de oito meses, até agora nada foi feito pelo
poder público municipal para, ao menos, amenizar a nossa
situação", reclamou uma moradora da Rua Saturnino Libanês,
que pediu para não ser identificada. Segundo ela, apesar dos
apelos, a prefeitura ainda não moveu uma palha para
solucionar o problema, "que mudou a rotina dos moradores e
vem nos causando sérios transtornos". Ainda de acordo com a
moradora, com os estragos provocados pela chuva de fevereiro
a rua ficou obstruída para o tráfego de veículos. "Hoje em
dia, com o deslizamento que ocorreu, até mesmo os pedestres
correm risco de sofrer um acidente ao passar no local",
advertiu a moradora.
Tanto os moradores da Saturnino Libanês como da Coronel
Fulgêncio de Figueiredo, temem que com novas chuvas, que
geralmente ocorrem no mês de novembro, possa acontecer uma
tragédia ainda pior, com a destruição total das casas já
comprometidas e de outras casas vizinhas. "Na chuva de
fevereiro, mesmo com toda fragilidade estrutural, ainda
existia o muro de contenção, que acabou ruindo. E agora?",
indagou um morador. "Se cair uma chuva forte os estragos
serão catastróficos", alertou.
Casa destruída - A casa de Jósia Miranda dos Santos, 46
anos, localizada na Rua Kardé Ribeiro, 280, no bairro do
Leader, também ficou completamente destruída após o muro de
contenção da rua ter desabado sobre o seu imóvel na
madrugada chuvosa do dia 21. A manicure se queixa que até
hoje não recebeu qualquer ajuda por parte dos poderes
públicos, a quem culpa pela tragédia. "Não foi a chuva que
causou a minha infelicidade; foi a incompetência das
autoridades, pois elas sabiam que aquele muro sem escavação
e sem amarração não tinha como não cair", desabafou a
manicure.
Situação de emergência - O prefeito Rui Macedo chegou a
decretar situação de emergência na época, mas, segundo
informações, até agora só foram liberados recursos por parte
do governo estadual, enquanto o município continua
aguardando os recursos federais. Segundo a Assessoria de
Imprensa, tais recursos ainda não foram liberados em razão
de pendências com o INSS, oriundas da gestão passada, e de
uma certidão negativa que o município precisa ter. "O
prefeito ao tomar conhecimento desses problemas, procurou a
Receita Federal e o INSS para tentar resolver a situação",
afirmou a assessoria.
Denúncias - Em 2004, o jornal Primeira Página denunciou uma
série de irregularidades na construção de encostas em
Jacobina e advertiu que se houvesse uma chuva mais forte
po-deria ocorrer uma tragédia e lamentavelmente aconteceu. A
administração da época ignorou as denúncias. O ex-prefeito
foi advertido também pela Controladoria-Geral da União (CGU)
de diversas irregularidades em outras obras de natureza
semelhante.
.gif) |