Doença do sisal é debatida em
Jacobina

Cerca de quatrocentas pessoas
participaram do lançamento da campanha de combate à Doença
da Podridão Vermelha do Tronco do Sisal, durante um
seminário que aconteceu no Leader Esporte Clube, nessa
terça-feira (23), em Jacobina, com a presença de técnicos da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa),
Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (Ebda), Agência
de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e Serviço de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entre outros, com o
objetivo principal de discutir “a doença que afeta a cultura
do sisal e pode se tornar um grande problema para todos os
produtores”, segundo explicação do diretor executivo da Ebda,
Hugo Pereira Filho, que fez uma palestra apresentando as
ações do Governo da Bahia para o desenvolvimento sustentável
do sisal. Ele disse que a empresa está se reorganizando e
buscando maior aproximação com os produtores para
transmitir-lhes informação e conhecimento. “Quem tem
informação tem poder e, organizando-se cada vez mais, (o
produtor) poderá fazer com que sua cultura tenha um maior
rendimento e ele uma qualidade de vida melhor”, disse Filho.
“O sisal, para esta região, significa o pão na mesa do
produtor”, declarou o técnico da Embrapa, Valternilton
Cataxo, que alertou os produtores sobre as principais
práticas de manejo para o controle deste mal. Segundo ele,
os cuidados devem ser observados em praticamente todas as
etapas: plantio, colheita, desfibramento. Antes de implantar
novas áreas de cultivo, o agricultor deve ficar atento à
procedência das mudas, passando a utilizar “mudas ou
rebentões de sisal de campos não contaminados pela podridão
do tronco”, orientou o técnico. Ele disse ainda que existe
uma prática muito comum, que deve ser modificada, que causa
enfraquecimento na planta e facilita a infecção da doença.
“O agricultor, quando inicia o processo de colheita das
folhas, faz uma retirada total, deixando apenas a vela. A
prática e os estudos da Embrapa demonstraram que é preciso
deixar, no mínimo, seis folhas expandidas na planta que
colher, garantindo, desta forma, maior resistência à entrada
do fungo que causa a doença", explicou.
Segundo Cataxo, o fungo, que é uma espécie animal que não
pode ser vista a olho nu, penetra o vegetal “através dos
ferimentos, na raiz da planta e, com o tempo, mata a
planta”, advertiu. Cataxo ressaltou que é fácil identificar
a planta infectada pela coloração amarela que apresenta. “O
agricultor deverá retirá-la do campo e queimá-la para evitar
a disseminação do fungo.”
A podridão do tronco tem afetado, de forma isolada, desde a
década de 1970, os sisalais do Brasil, principalmente as
principais áreas produtoras dos estados da Bahia, Paraíba e
Rio Grande do Norte, atingindo níveis críticos a partir de
1998. A incidência da doença varia bastante entre as regiões
de cultivo. Em algumas não ultrapassa 5% da área e, em
outras, pode alcançar 40% de infestação. As folhas de
plantas afetadas pela podridão do tronco não se prestam ao
desfibramento e as plantas sintomáticas morrem com o
progresso da doença. O Brasil é o maior produtor mundial da
fibra de sisal, com uma produção anual de cerca de 140 mil
toneladas. O produto é utilizado na confecção de cordas,
tapetes, sacos, vassouras, artesanato, acessórios e também
como componente automobilístico, segundo informações da
Embrapa.
A Região de Jacobina, que engloba os municípios de Capim
Grosso, Mirangaba, Ourolândia, Ponto Novo, Quixabeira e
Várzea Nova, está inserida entre as cinco áreas de atuação
do programa de Recuperação, Modernização e Diversificação do
Pólo Sisaleiro (Nossa Fibra), da Secretaria da Agricultura,
Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia. A cultura
sisaleira ocupa uma área de 223.114 hectares em toda região
do semi-árido, principalmente nos municípios de Senhor do
Bonfim, Euclides da Cunha e Serrinha que, juntos, perfazem
90% da área plantada na Bahia. A fibra tornou-se o segundo
maior produto de exportação do estado, segundo dados da Adab.
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