Decreto trás prejuízos ao
comércio, conclui presidente da Acija

O polêmico decreto municipal que
proíbe o tráfego de carros de som nas ruas centrais de
Jacobina e que foi alvo de manifestação por parte dos
interessados no assunto, teve esta semana mais uma voz que
opinou sobre seus efeitos. O presidente da Associação
Comercial e Industrial de Jacobina (Acija) Roberto Jacobina
Vieira, em entrevista ao Primeira Página, confirmou o que a
maioria das pessoas já dissera, que a proibição causa
prejuízo ao comércio.
Segundo Vieira, é no centro da cidade que se concentra a
maioria das empresas que contratam o serviço dos carros de
som e que muita gente que vem de fora e mesmo moradores da
cidade que precisam de serviços bancários, circulam pelo
centro da cidade e a proibição realmente prejudica esse
esforço dos comerciantes. “É no centro que a população
residente no município e a de municípios vizinhos vem à
procura dos serviços de banco, do comércio, de tratamento
médico e odontológico porque ali se concentra a maior parte
das atividades da cidade”, argumentou.
Roberto Jacobina disse que é a favor que haja um limite da
altura do som e dos horários de circulação, mas não da
proibição por si só. “Que seja limitada a altura do som, o
horário para que os carros circulem nos horários
comerciais”. O decreto que proíbe os carros de som nas ruas
centrais da cidade é o mesmo que proíbe o uso de som em
carros particulares nos bares locais. Acontece que os carros
de som são fáceis de serem inibidos e os guardas municipais,
cumprindo ordens, não hesita em fazer cumprir a lei, no
entanto, em bairros periféricos os carros particulares
atordoam a população até altas horas sem serem incomodados
pelo poder público. “O prefeito tomou essa medida por que
muitos moradores reclamavam não dos carros de som, e sim,
dos carros particulares, mas somente nós fomos penalizados",
desabafou um proprietário de carro de som que não quis se
identificar temendo represálias.
A opinião de moradores e circulantes em relação ao serviço
varia a depender do grau de informação e idade. A reportagem
ouviu vários deles e a grande maioria disse que a circulação
dos carros nas ruas centrais não fazia a menor diferença e
que se não pode num espaço também não poderia noutro local.
“Acho isso tão pequeno que não merece um debate. O prefeito
deveria fazer algo mais eficaz que proibir que carros de som
circulem aqui enquanto permite que circule ali. Acho
ridículo essa divisão de espaços”, disse uma transeunte que
se identificou como Maria Conceição.
No entender do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas,
Josué Alves dos Reis (Joca), o volume determinado pela lei
em vigor deve ser cumprido, assim como, devem ser
devidamente punidos e multados aqueles que a infrigila,
entretanto, Joca afirma que é inviável proibir a circulação
dos carros de som no centro da cidade, "uma vez que a
mensagem comercial não será ouvida pelo grande público que
circula neste local, perdendo, em parte, o objetivo da
propaganda", explicou. Joca disse que a questão dos carros
de som particulares deve ser revista, para não fazer uma
concorrência desleal com quem depende do ramo. Ele também
defende dar prioridade a quem está há mais tempo no ramo,
desde que esteja devidamente regularizado..
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