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E assim se foi um amigo
 

 Do cabo de uma enxada a um conglomerado vitorioso, com a mesma simplicidade. É assim que podemos sintetizar a qualidade e a vida de um amigo que se foi no último dia 9.
José Rodrigues de Oliveira, Zé da Grão Duque, como era mais conhecido, com 68 anos de idade, foi um homem que pautou sua vida na simplicidade, na honestidade e no trabalho. Logo cedo, aos 12 anos de idade, começou a sua labuta no cabo de uma enxada e, com prazer, ele dizia que foi ali que começou os seus primeiros passos para uma vida humilde, porém digna.
Mas quem nasceu para vencer não pode ficar parado. Aos 14 anos resolveu aventurar a vida em São Paulo - a experiência que todo nordestino tem vontade de fazer -, mas não aguentou muito tempo, pois a saudade no peito era mais forte, só foi praticamente para matar a curiosidade, passando apenas 45 dias na capital paulista.
Dizem que de criança já dá para prevê o que será o homem, neste caso, um fato pitoresco ocorreu em sua vida, quando aos 10 anos de idade trocou um cavalo por um relógio. Incutido em saber como funcionava a máquina, fez uma pinça de faxina de caixão e uma chave de fenda com arame batido na ponta; essa foi a ferramenta para inúmeras vezes desmontar e montar aquele relógio; foi o início da arte e a predestinação da vida. Com a orientação de um irmão, que lhe deu um livro de presente sobre relógios e o incentivou a fazer o curso por correspondência, adquiriu a profissão que a natureza lhe reservava. Mas não foi de imediato que ingressou nela, suas tentativas foram frustradas, chegou a ir até Ribeira do Pombal, mas novamente retornou a Cachoeira Grande. Ligado na lavoura, especialmente na cultura do fumo, tornou-se um vendedor por sucessão a seu pai Frederico Rodrigues de Oliveira e, nesse ramo, permaneceu por alguns anos na feira livre de Jacobina, vendendo fumo de rolo e, simultaneamente, consertando relógios em Cachoeira Grande na Relojoaria São José. Mas sua meta de vida não era só aquela. Tomou a decisão de se estabelecer em Jacobina, onde alugou um imóvel na Rua Senador Pedro Lago (hoje vizinho a Caixa Econômica Federal). Depois de inscrito na Fazenda Pública, passou para outro imóvel em frente, recebendo do irmão que morava em Senhor do Bonfim um letreiro luminoso já denominando Relojoaria Grão Duque, foi daí que passaram a chamá-lo Zé da Grão Duque, onde adquiriu a solidez para vôos mais altos. Com a ajuda dos filhos, todos formados em Administração de Empresas, mas sob sua orientação ano a ano, as conquistas foram acontecendo, da pequena Relojoaria Gão Duque, da firma José Rodrigues de Oliveira, hoje existe um conglomerado de sete empresas que se impõem em Jacobina: Grão Duque Variedades, Grão Duque Pneus, Itapicuru Pneus, Grão Duque Store, Central Pneus, Aki Auto Peças, O Varejão Auto Peças.
José Rodrigues de Oliveira (Zé da Grão Duque) não ficou só a acumular riquezas e não era uma pessoa sovina, a sua participação na comunidade era uma constante. Nas campanhas eleitorais a colaboração que dava a um partido em igual valor dava para os outros e ninguém até hoje sabe em quem ele votava, assim como também os filhos. As comissões de entidades beneméritas que o procuravam para colaborar financeiramente com alguma campanha, nunca saíam com as mãos abanando. Apesar da sua vida pacata, mas atuante na comunidade, colaborou com a construção do prédio da Acija. Em seus diversos momentos, fez “peso” na comissão que foi pedir a Barbosinha e Luís Torneiro o terreno que hoje é o Lar Espírita Fabiano de Cristo, no Bairro Ladeira Vermelha, e sua participação na construção foi maior ainda. O reconhecimento dos empresários jacobinenses condecorando-o na Acija como o Empresário do Ano foi o que mais lhe gratificou. E porque também não dizer: foi um leitor assíduo do Primeira Página, sendo um dos primeiros assinantes e por 15 anos consecutivos.
Do primeiro casamento com dona Jandira foram cinco filhos: Magnólia, Genebaldo, Jeobaldo, Carlos Alberto e Patrícia; do segundo casamento com dona Diva Lúcia, teve Joana Caroline. Deixa 7 netos: Catarina, Genebaldo, José Joaquim, Ana Carina, Daniel, Pedro e Sara, e as noras que tanto o amavam e faziam ombro a ombro nos empreendimentos: Walkyria, Cristiane e Fátima.
E assim se foi um amigo.
Descanse em paz Zé, sua missão foi cumprida.


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