Holofotes da demagogia
O caciquismo político sempre operou a
democracia com manhas de Tartufo. Barnabés iguais a mim que
o digam. Sem tirte nem guarte, zás!... Várzea do Poço...
Tapiramutá. Amanhã?... Sabe Deus! Mesmo não crendo em
vampiros, entretanto, ciente da existência de carrapatos
orçamentívoros que paciente-mente devoram este país, com
alho, folhas de arruda e o velho cravinote - título
eleitoral - desfecharei tiros de misericórdia caso venham
ressussitar.
Aparições inusitadas e com frequência muito bem revelam seu
comportamento mambembe: tapinha nas costas de um, aperto de
mão em outro, pantomima aqui e acolá, vão eles.
Verdadeiramente, autênticos histriões. Mês passado, na
cidade onde nasci, ao ouvir de um companheiro, antes fiel
escudeiro do alcaide, o questionamento abaixo, isso
deixou-me com as barbas de molho: - Você ainda vota aqui?...
- Não dá mais pra suportar... Precisamos salvar nossa terra
do desastre político que aí está... Fugidias como são as
ações do homem e vendo-o naquela sofreguidão, ape-nas o
escutei e saí a matutar: salvar o que?... de que?... Essas
coisas. Pois, é. Não são poucos nem de pouco crédito os que
me dizem ser o servilismo do povo a exata resposta para o
que ocorre neste país de meu Deus. Pura verdade.
Dissimulados, políticos oportunistas de plantão enxergam na
miséria alheia a saída eufórica para a satisfação de seus
interesses mesquinhos.
Viciando a vontade do eleitor minam-lhe pontos vulnerávis e
sensíveis de sua pobreza. Bonzinhos, dão tudo: sacos de
cimento, sapatos, dentaduras, quinquilharias, o diabo!
Quando da entrega, a exemplo de sapatos e chapas,
estabelecem regras: o votante recebe no dia da eleição uma
unidade (pé), e a outra, após o resultado. Isso, claro, se
eleito o candidato.Tragicômico, mas com registro histórico
neste sentido, é o caso das famosas dentaduras postiças.
Incautos eleitores têm sofrido graves lesões corporais por
conta disso. Muitos, com a boca lascada, quando não menos a
mandíbula fraturada andam por aí mutilados. É, que os
infelizes desdentados se recusam em devolver dita prótese
como antes combinado. Então... Traço comum nos políticos é a
paixão. Sentimento egoístico, que por ser duradouro é capaz
de levá-los a um estado crônico e mórbido, principalmente ao
perder o poder.
A ambição, e muito provável o ciúme doentio nutrido aos
opositores e adversários, em períodos agudos como o das
eleições vindouras, irá causar nefastos danos ao interesse
coletivo. É preciso cuidado. Se assim considerado massa de
manobra o eleitorado brasileiro na ótica vesga do
conterrâneo, a quem neste instante peço desculpas, resta-me,
por fim, transcrever-lhe antigo dito popular: "Quem pariu
Mateus que balance". De igual modo, quem efetivamente
contribuiu para o suposto fracasso administrativo alegado, e
agora, cogitar união espúria envolvendo inimigos fidagais, a
pretexto de salvar nossa terra, - entenda-se aqui,
interesses escusos - basta seguir os ensinamentos do
filósofo Barão de Itararé e, com sabedoria, antes de
sufragar o voto, refletir: "Mais valem dois marimbondos
voando, do que um na mão", ou, se preferir, "Mais valem dois
galos no terreiro, do que um na testa."
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