O primeiro jornal do interior da Bahia na Internet

 

 

 

 

 

 

MP abre mais um processo contra
o ex-prefeito Leopoldo Passos

O ex-prefeito de Jacobina Leopoldo Moraes Passos terá que responder mais uma vez por seus atos frente à Prefeitura de Jacobina. Desta vez, o Ministério Público está movendo uma Ação Civil Pública contra ele e Orlando dos Santos Rocha (Orlando Touro) por irregularidades no uso de recursos da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), ocorrido no último ano de sua gestão.
Em 2004 o prefeito celebrou um convênio com a Conder para realização de melhorias nas casas de 76 famílias com o objetivo de combater a Doença de Chagas no município. Os recursos do Convênio nº 028/2004, no valor de 250 mil reais, só foram efetivamente repassados no final de dezembro, ocasião em que o ex-prefeito teria que deixar o cargo, por conta disso, ainda no primeiro trimestre daquele ano ele resolveu gastar por conta e realizar as obras previstas.
Segundo o MP, as obras foram realizadas bem antes do recebimento do dinheiro, mas o problema é que para justificá-las o ex-gestor co-meteu um ato criminoso. “Apesar da plena realização das obras, as quais beneficiaram 76 famílias e tiveram como marco inicial o primeiro trimestre do ano de 2004, no final de tal exercício, pois os recursos estaduais só foram efetivamente repassados em 29/12/2004, resolveu o Sr. Leopoldo Moraes Passos, o qual estava na iminência de deixar seu mandato, forjar um simulado processo licitatório para uma suposta aquisição de materiais de construção, mas cujo objeto verdadeiro consistia na compra de ‘notas fiscais’ que pudessem justificar perante a fiscalização dos órgãos de controle, a aplicação do numerário”, afirma o Ministério Público.
O promotor José Jorge Meireles Freitas que propôs a ação reitera ainda que “para a concretização de seu desiderato, valeu-se o ex-prefeito da ‘assessoria’ do Sr. Orlando Santos Rocha, um experiente servidor na área dos referidos certames, o qual arquitetou e orientou como fazer o procedimento para dar a feição de regularidade, o que se consumou em 10/12/2004, chegando ao ponto de até preencher as notas fiscais do fornecedor, a saber a empresa RM Pereira-ME, mais conhecida como Pereira Construções”.
A referida empresa, segundo apurou o promotor, nunca teve em seu estoque a quantidade de materiais descritos nas notas fiscais e nem entregou nenhuma mercadoria à prefeitura, mesmo assim, recebeu indevidamente mais de 200 mil reais. Sendo assim, o MP pede a decretação da indisponibilidade dos bens dos acusados, o ressarcimento dos danos aos cofres públicos, além de condenação à perda da função pública e suspensão dos direitos políticos de todos os envolvidos.
O ex-prefeito Leopoldo Passos é um velho conhecido da justiça e contra ele pesa dezenas de processos que, quando julgados, certamente lhe trará muitos aborrecimentos. Embora esse último processo tenha tido uma re-percussão em sua divulgação, uma vez que até a coluna de Samuel Celestino tratou mais de uma vez dele, para a sociedade jacobinense não foi nenhuma surpresa o conhecimento de mais essa Ação Civil do Ministério Público por improbidade administrativa.
A reportagem do Primeira Página esteve com o promotor Jorge Meireles que demonstrou preocupação com as atitudes de gestores que, no uso da função pública, pratica atos ilícitos e garantiu que não haverá omissão do Ministério Público. Ao ser questionado do porque dos processos de Leopoldo não serem julgados, ele disse que sua atribuição é denunciar e isso tem sido feito e que esse questionamento deveria ser feito diretamente ao juiz.
Um advogado ouvido pela reportagem do Primeira Página e que pediu para que seu nome não fosse citado, disse que espera que o ex-prefeito seja julgado não só por este, mas também nos outros processos que pesam contra ele. “A pergunta que se faz é: o ex-prefeito come-teu todas essas irregularidades denunciadas pelo Ministério Público? Se o fez porque não foi punido ainda? A gente que milita nos fóruns sabe como funciona a tramitação na Justiça, mas a população não compreende e isso a aflige. O que posso garantir é que mais cedo ou mais tarde esses processos serão julgados”, afirmou.