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Padre Alfredo Haasler nasceu Bernardo, nome de batismo
recebido de seus pais, no dia 5 de agosto de 1907, em Heiligenkreuz,
Áustria, terra em que pisei acompanhada da sua irmã Marianne Haasler e
visitei o Mosteiro Cisterciense, onde se iniciou na vida monástica, o
túmulo de seus pais, os bosques da região, usufruindo da paz e da
harmonia que Heiligenkreuz - em português Santa Cruz - oferece a todos.
Fez o seminário no Mos-teiro Cisterciense de Schlierbach onde se ordenou
padre, em 1928, recebendo o nome de Alfredo. Em 1933, foi para os
Estados Unidos, vivendo na comunidade cisterciense de Spring Bank, de
onde retornou, em 1936, para Schlierbach, para trabalhar como educador
no colégio pertencente à Ordem. Em 1938, veio para o Brasil, tomando
posse na Paróquia de Jacobina, Bahia, em 11 de setembro desse mesmo ano.
Em Jacobina, permaneceu por toda a sua vida, sem retornar à sua terra
natal, nada obstante a possibilidade que a própria Ordem Cisterciense
lhe oferecia.
Foi pároco das freguesias de Santo Antônio de Pádua, em Jacobina, e do
Sagrado Coração de Jesus, em Itaitu, tendo dedicado a sua vida à:
evangelização do povo; criação de Escolas Paroquiais; assistência médica
a doentes e fundação das Missionárias do Espírito Santo.
Foi um grande protetor dos pobres e dos desassistidos, um homem
preocupado com a educação, que considerava condição básica para o
desenvolvimento da pessoa humana e para o processo de evangelização.
Foram 68 anos de profissão monástica e 64 anos de sacerdócio dos quais
50 anos dedicados ao Brasil, o que significa quase dois terços da sua
vida, pois viveu até os 89 anos - 1997. Aqui chegou e daqui nunca mais
quis se afastar. Era de praxe, na rotina do Mosteiro da Ordem
Cisterciense, possibilitar, decorrido certo número de anos, aos seus
monges, vindos de outros países, um retorno à sua terra, um reencontro
com a família da qual se afastaram para servir a outros e em outras
plagas. Padre Alfredo, porém, nunca quis usar desse direito. Pensava
sempre nas ovelhas do seu rebanho que precisavam de ajuda e não lhe
agradava gastar consigo mesmo ainda que fosse para uma justi-ficada e
merecida possibilidade de visita a familiares. Sua terra passou a ser
Jacobina. Seu pai, sua mãe, seus irmãos, seus parentes éramos todos nós
os seus paroquianos, as ovelhas do seu redil.
E com esse sentimento de pai nos conduziu por 50 anos, ou antes e
corrigindo essa afirmação, nos conduz continuadamente, dia-a-dia e para
sempre. O sentimento de fraternidade era uma dominância na sua vida.
Pregava a justiça sem fomentar a luta, mas ensinando que só o amor
constrói. Reconhecia que a autonomia de ação e de deliberação
pressuponha, necessariamente, a educação e, por assim reconhecer,
dedicou-se à criação de escolas, as Escolas Paroquiais das quais a
primeira, fundada na Tabua (antigo distrito de Jacobina, hoje
pertencente ao município de Várzea Nova) com a colaboração do meu pai,
José Marcellino da Silva, existe ainda hoje, operante, organizada,
fazendo o bem. Chegaram a ser 45 escolas, espalhadas pelos mais
longínquos lugares onde a ação do governo não chegava (ou não queria
chegar). Deu, assim, possibilidade a muitos jovens de crescerem
profissionalmente. Mas padre Alfredo era também aquele que levava a cura
para as doenças onde nem médicos, nem agentes de saúde nem ações
eventuais de socorro chegavam.
Assim era padre Alfredo e dessa forma procedia porque tinha muito clara
a consciência de que a vivência da palavra de Deus requer,
necessariamente, um compromisso com a fraternidade, com a justiça
social, com a solidariedade. E essa lição que recebemos, todos nós que
tivemos a ventura de com ele conviver, temos por obrigação passá-la aos
outros, aos jovens que não o conheceram, aos recém-chegados à nossa
terra que com ele não conviveram. A memória de padre Alfredo deve ser
uma luz a nos guiar e esse deve ser o compromisso nosso, compromisso de
gratidão para com o nosso pároco: nunca deixarmos que se apague dos
nossos corações a sua presença, a sua lembrança vivificante, o seu
exemplo construtor.
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