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Morre ACM: o maior líder político da Bahia

Morreu ontem (20), aos 79 anos, o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), considerado o maior líder político da Bahia. ACM foi hospitalizado no dia 14 de junho para tratar de problemas renais e cardíacos. No dia 12 de julho, apresentou complicações médicas gástricas e intestinais que adiaram a previsão de alta. O senador havia sido internado outras duas vezes. Em março, por conta de uma pneumonia e disfunção renal. Em seguida, em abril, voltou ao Incor por insuficiência cardíaca. Em junho, foi internado pela última vez. O anúncio da morte foi às 11h40, segundo a nota do Incor, "em decorrência de falência de múltiplos órgãos, secundária à insuficiência cardíaca".
ACM Nasceu em 4 de setembro de 1927 em Salvador, na Bahia, estado que representou na Câmara e no Senado em Brasília. Em 1954 foi eleito deputado estadual pela União Democrática Nacional (UDN). Em 1958, tornou-se deputado federal, cargo para o qual foi reeleito em 1962. Em 1966, foi reeleito deputado federal, já pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que era a base de sustentação do governo anti-democrático. Em 67, assumiu a Prefeitura de Salvador e em 1970 tornou-se governador da Bahia. A primeira de suas três gestões. Em 1995, foi nomeado pelo presidente José Sarney para o cargo de ministro das Comunicações. Em 1994 foi eleito senador da República. Presidiu a Casa entre os anos de 97 a 2001 e chegou a assumir interinamente a Presidência da República de 15 a 22 de maio de 1998.
Vocação precoce para a política - ACM começou a mostrar sua vocação para a política no Ginásio da Bahia, onde, durante o curso o secundário, disputou e ganhou todas as eleições para o grêmio. Ele ainda não tinha entrado para a faculdade quando, aos 18 anos, participou da luta pela derrubada de Getúlio, em 1945. No mesmo ano, começou a trabalhar como "foca" (repórter estagiário) do jornal Estado da Bahia, inicialmente cobrindo esportes e, depois, política. Até sua morte, foi jornalista sindicalizado. Apesar de ter passado no vestibular para Medicina, mantinha um interesse maior pela política. As notas não eram boas, mas ele se firmou como um líder na política acadêmica como presidente do grêmio.
Mesmo formado em Medicina, ACM continuou jornalista, o que lhe permitiu a nomeação para redator de debates da Assembléia Legislativa. Mesmo sem mandato, ele comandava a bancada da UDN e chegava a intervir no andamento da sessão e pelo menos uma vez agrediu fisicamente um deputado.
Em 1954, ACM foi eleito deputado estadual e, em seguida, líder da bancada da União Democrática Nacional (UDN). Em 1958, novamente pela UDN, elegeu-se deputado federal, reelegendo-se em 1962 e em 1966, dessa vez já entre os mais votados.
O início do carlismo - Durante a ditadura militar, em 1967, o governador baiano Luís Viana Filho nomeou ACM, filiado à Arena, prefeito de Salvador. Magalhães contava com o respaldo direto do presidente Castelo Branco. Como alcaide, implantou uma série de reformas urbanas que aumentaram sua popularidade entre a população baiana.
Em 1970, conseguiu para a Arena a eleição de dois senadores, 19 dos 22 deputados federais e 40 dos 46 deputados estaduais. No ano seguinte, foi indicado pelo presidente Médici como candidato do regime militar à eleição indireta para o governo da Bahia. Seu primeiro governo durou de março de 1971 ao mesmo mês de 1975.