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MP discute aterros sanitários em Jacobina

Erradicar os “lixões” existentes na maioria dos municípios baianos é uma das metas do programa "O desafio do lixo", instituído pelo Ministério Público Estadual (MPE/BA) que promoveu, através da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente da Comarca de Jacobina, na última terça-feira (10), uma reunião que começou com uma palestra da engenheira sanitarista Cristiane Sândis Tosta, assessora pericial do MPE/BA, sobre disposição dos resíduos sólidos. Este foi o assunto principal do evento que teve o apoio da Prefeitura Municipal de Jacobina, cujos assessores lotaram as dependências do auditório do Centro Cultural Edmundo Izidoro dos Santos, juntamente com representantes dos municípios de Várzea Nova, Mirangaba, Ourolândia e Piritiba, e de algumas entidades não-governamentais.
Em torno de 20 a 30 toneladas de resíduos sólidos são depositados diariamente, a céu aberto, numa área localizada a 15 quilômetros do centro da cidade, à margem da estrada que liga Jacobina-Miguel Calmon. Problemas ambientais como este, de graves conseqüências, podem ser solucionados através de medidas como a construção de um aterro sanitário do tipo convencional, concomitante a ações de manejo (coleta seletiva de lixo, produção de compostos orgânicos e comercialização de materiais recicláveis). Uma resolução “inevitável e necessária, além de estar prevista em lei”, devendo ser implementada “o mais rapidamente possível, porque a situação já está errada há muito tempo”, segundo a sanitarista do MPE/BA.
O titular da Promotoria de Jacobina, Geraldo Agrelli Lobo disse que o problema atinge a praticamente todos os municípios do Estado, incluindo os sediados nesta comarca, especialmente Jacobina, que considera “uma situação complexa”. Ele informou que os municípios de Várzea Nova, Mirangaba, Ourolândia e Caém já assinaram os respectivos acordos com a Justiça (Termos de Ajustamento de Conduta - TAC) que prevêem a construção dos aterros sanitários e a implantação da coleta seletiva de lixo, entre outras medidas relacionadas. Explicou ainda que, por se tratar de municípios de pequeno porte, neles serão construídos aterros simplificados, com custos bastante reduzidos em relação ao aterro convencional, que é um modelo mais apropriado para cidades de médio porte, como Jacobina, cujo TAC ainda não foi assinado.
Para a sanitarista do MPE/BA, “os lixões são soluções inadequadas para a disposição final dos resíduos”, mas existem em quase todo o Estado, com algumas exceções, onde foram construídos aterros sanitários. Ela acredita que a solução para a grave situação de Jacobina seja a mesma. "O investimento é fundamental e trará inúmeros benefícios para a saúde pública e para o meio ambiente", frisou.
O prefeito Rui Macedo, ciente do problema desde o início do mandato, apostava na possibilidade de resolvê-lo através do que denominava de “consórcio” entre os municípios da região, na construção de um aterro sanitário, no mesmo local do “lixão”, que pudesse beneficiar a todos os envolvidos. O impasse começou a ser desfeito a partir da palestra da representante do MPE/BA que, entre outras considerações, descartou a possibilidade desta construção por meio de um consórcio regional. Ainda de acordo com o prefeito, o aterro sanitário municipal não poderá ser construído no “lixão”, pois o local foi desaprovado por entidades e órgãos ambientais.
Calcula-se que a construção de um aterro sanitário convencional fique em torno de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões. Macedo alega que este montante está muito acima da capacidade financeira da prefeitura, mas que tem o propósito de buscar os recursos nas demais esferas governamentais e mesmo junto a organismos internacionais, para cumprir a determinação legal. Sobre a gravidade e a solução difícil do problema, que reconhece, ele concluiu: “É uma bomba de efeito retardado, que vai estourar algum dia. Estamos tentando desativá-la e evitar o estopim”.
Para o enfrentamento a este e a diversos outros problemas ambientais, a cidade de Jacobina dispõe de instituições como a Promotoria do Meio Ambiente, Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, Coordenadoria do Meio Ambiente, Conselho Municipal do Meio Ambiente e da atuação de grupos ambientais, como o Grupo Ecológico Serra Verde. Os problemas decorrentes da existência de um depósito de resíduos sólidos a céu aberto podem ser comparados, literalmente, aos efeitos devasta-dores de uma bomba, já que os lixões emitem metano, que é o segundo gás mais importante para a intensificação do efeito estufa, depois do dióxido de carbono (ou gás carbônico) e que, portanto, contribui para o aquecimento global. A poluição dos “lixões” causa também diversas doenças infecto-contagiosas e danifica o meio ambiente, podendo haver perdas irreversíveis, além de gerar degradação social e prejuízos econômicos incalculáveis - que vão crescendo com o passar do tempo.