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 Corrida de aventura agita a região

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Aconteceu durante os dias 30 de junho a 2 de julho, na Chapada Diamantina - Circuito Chapada Norte, nos municípios de Morro do Chapéu, Miguel Calmon e Jacobina a maior corrida de aventura da Bahia, a Carrasco D’Aventura. Cerca de 110 atletas (29 equipes) disputaram os 210 quilômetros de percurso, divididos em seis modalidades esportivas. A primeira equipe a completar a corrida terminou em 24 horas e a última, somente após 35 horas.
As modalidades: Os 210 quilômetros da Carrasco D’Aven-tura em 2007 foram divididos em 143,2 km carrasco d’aventura de mountain bike, 41,5 km de trekking, 11 km de canoagem, 13,5 km de Ride and Run (cavalgada), 700 metros de natação e 60 metros de rapel na Cachoeira Véu de Noiva, na localidade de Itaitu, em Jacobina.
Recepção dos atletas: No sábado, dia 30, durante o dia, aconteceu a recepção dos atletas na hospitaleira cidade de Morro do Chapéu, onde houve a apresentação dos documentos da prova e checagem de equipamentos obrigatórios e sessão de fotos.
Cerimônia de abertura - briefing: Às 11h30 foi realizada o briefing, um dos momentos mais emocionante e esperado por todos. Contou com a presença dos atletas de todo o país, equipes de apoio, moradores de Morro do Chapéu e cidades vizinhas, patrocinadores e autoridades locais, incluindo os prefeitos de Morro do Chapéu e Jacobina, cidades onde a corrida passou, bem como o representante da Bahiatursa, Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Smarh), Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), grandes apoiadores do evento.
Nessa cerimônia de abertura foi dada as boas-vindas a todos e exibido o vídeo da Carrasco D’Aventura 2006, explicando como surgiu o evento e a parceria entre a Caatinga Trekkers e a D’Aventura Esportes e Turismo. Além disso, a cerimônia contou com a participação especial de um repentista nativo que cantou protestos em defesa da natureza. Foi dado um grande destaque à caatinga, mostrando o porquê de escolher esse ecossistema como cenário de corridas de aventura. Inclusive, o nome carrasco - que significa mata anã, de arbustos de caule e ramos duros e esguios; formação vegetal nordestina, mais rala, enfezada e áspera - repre-senta, literalmente, o maior desafio de corrida de aventura da Bahia que ocorre em plena caatinga. Foram divulgadas também as principais informações técnicas da corrida e dicas do percurso.
Largada - Poucos minutos antes das 16 horas, a cidade de Morro do Chapéu parou para assistir deslumbrada a energia das equipes que estavam todas posicionadas debaixo do arco da Red Bull (grande apoiador do evento). Ao som da Carne Seca, banda oficial da Carrasco, revelando todo o seu estilo regional dava o tom de aventura e adrenalina para os atletas e expectadores da grande largada. Tiago Valois, um dos diretores da Carrasco, posicionou-se em cima do palco do show de largada e comandou a contagem regressiva, que a cada segundo arrepiava mais e mais todos que ali estavam. E quando o helicóptero da Casa Militar se aproximou, foi o sinal para a explosão dos atletas rumo às trilhas da região.
Cross conutry: O cross country foi inserido como a grande novidade da corrida e possibilitou a participação de atletas locais e de outros esportes como triatlhon, atletismo e corrida de rua. Sob a supervisão técnica da Federação Baiana de Atletismo, os atletas percorreram correndo 9,5 km de estradas asfaltadas, de terra e trilhas demarcadas pela organi-zação, cumprindo um percurso circular, voltando, assim, para a cidade de Morro do Chapéu (local da largada). A premiação do cross country aconteceu às 16h30 do mesmo dia, havendo premiação em dinheiro para os primeiros colocados de cada categoria e tênis.
Colocação dos atletas em ranking final - cross country:
Mountain bike: Após 9,5 km de cross country, os atletas de corrida de aventura partiram direto para uma longa perna de bike de 87,5 km que castigou os atletas logo no início da prova. Houve um trecho de 6 km super técnico passando por um single trekking (trilhas estreitas) para chegar na Vila do Ventura, um vilarejo abandonado que na época do garimpo era bastante povoado e hoje apenas restam três famílias moradoras.
Mas o MTB mais alucinante foi o down hill da sede do Parque Estadual das Sete Passagens (Miguel Calmon), foram 7km descendo a serra com um belíssimo visual da Chapada Norte.
As três pernas de bike que totalizaram 143,2 km custaram vários pneus furados, raios quebrados e avarias nas bikes por causa dos cactos e espinhos típicos da caatinga. Grande parte das equipes tiveram problemas com a bicicleta, a equipe Oskalunga Sundown-DF, por exemplo, furou o pneu sete vezes.
Canoagem: Foram 11 km de remo em ducks (barcos infláveis) na madrugada fria que contou com a presença magnífica da lua cheia. Alguns trechos da barragem foram tomados pelo capim difi-cultando a passagem das equipes, porém as mesmas contaram com a ajuda dos pescadores locais que, ao ouvirem os fogos de artifício da organização, iluminaram com seus lampiões o caminho por onde os atletas deveriam passar. Esta mobilização dos pescadores da localidade França (Piritiba) em prol da corrida funcionou também como uma manifestação de preocupação com a Barragem do França que precisa de cuidados especiais, pois é de onde eles tiram o peixe para o sustento da família.
Natação: Os 700 km de travessia do rio foram realizados utilizando bóias. Isto porque os atletas deixavam o duck de um lado do braço do rio e precisavam transportar os remos para o outro. As bóias auxiliaram os remos a flutuar, aumentando o rendimento na natação. As garotas da Atenah adoraram a idéia, principalmente porque elas já têm o costume de levar as bóias para sentarem nos ducks, já que são baixinhas e quase somem quando sentam na embarcação. O frio castigou na madrugada de domingo e surpreendeu as equipes que esperavam o calor da caatinga.
Trekking: Três pernas de trekking num terreno bastante acidentado castigaram os atletas exigindo muito fisicamente dos mesmos. No primeiro trecho de caminhada as equipes tiveram que atravessar a Serra das Almas. Este foi um dos momentos de navegação mais difícill. À noite a Serra das Almas mais parecia uma árvore de natal, pois cerca de oito equipes com suas lanternas ligadas transitavam em busca do caminho correto.
Mas o trekking mais alucinante foi a subida para a sede do Parque Estadual das Sete Passagens pelo cânion do Bico do Urubu. “Estávamos no meio da selva. Parecia que estávamos na pré-história prestes a enfrentar um pterodátilo a qualquer momento”, declarou Ramon Valls Martins, atleta da equipe Try On Landscape.
Ride and run: Após o trekking na Serra das Almas, um alívio! Cada equipe recebeu um cavalo para cumprir um percurso de 13,5 km no qual puderam descansar revezando entre si. Mas para a equipe Oskalunga-DF este momento foi uma tortura. O atleta Karin teve muita dificuldade de conduzir o animal que empacava a todo o momento tirando o atleta do sério.
Rapel: Dois componentes de cada equipe tiveram um momento de relaxamento na descida dos 60 metros da Cachoeira do Véu de Noiva que recebeu uma iluminação especial na noite de domingo.
Chegada: Durante toda a prova houve disputa entre cinco equipes: Selva, Atenah, Viva Brasília, SOS Mata Atlântica e Oskalunga. A cada PC estas equipes iam alternando colocações tornando a prova mais dinâmica e imprevisível.
Mas foi a equipe Selva NSK Kailash que levou essa. Chegou a Jacobina às 15h55 do domingo, superando todas as estimativas de tempo dos organizadores - realizou a prova em 24h. “Corremos tanto porque o tempo todo nos sentimos ameaçados pelas outras equipes”, declara Chiquito, atleta da Selva.
A equipe que liderou a prova o tempo todo, formada por Caco Fonseca, Erasmo Carlos, João Belinni e Ursula Pereira, desbancou os bicampeões baianos Rumo Certo e levou a Carrasco D’Aventura 2007.
Em segundo lugar, ficou a equipe Atenah, formada pela garotas Silvia Guimarães, Fernan-da Maciel, Camila Nicolau e Cristina de Carvalho. Shubi, como é conhe-cida a capitã Silvia Guimarães, declarou que se perderam algumas vezes, mas a amizade e o espírito de equipe delas superou tudo.
E em terceiro lugar ficou a equipe Viva Brasília-DF, formada por Alexandre Carrijo, Enrico Favilla, Marcelo Mota e a atleta feminina Lillen Pedrosa. O capitão Carrijo declarou na linha de chegada toda a sua satisfação: “Cara, prova linda! A Bahia é linda! Em 2008 estamos na Carrasco novamente”. Os três primeiros colocados ganharam troféu e tênis. A equipe campeã, Selva NSK Kailash faturou R$ 3.000,00 e a segunda colocada R$ 1.800,00.
Categoria dupla: Apenas uma dupla completou a prova, a Olhando Aventura que fechou o percurso em 31 horas.
Os expectadores masculinos de Jacobina ficaram encantados com o charme das garotas da Atenah que foram presenteadas com uma cerveja gelada a pedido de Cris. Brindaram e viraram o copo para comemorar.
Mais uma vez, a corrida fez parte do Ranking Brasileiro de Cor-rida de Aventura - um importante parâmetro que mede a qualidade técnica das equipes de todo o Brasil.
Carbono zero: A maior corrida de aventura da Bahia, a Carrasco D’Aventura, conquistou este ano o selo Carbono Zero do Programa Floresta Bahia Global, do Governo da Bahia. Esta é uma ação inédita em corridas de aventura firmada através da parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, a Superintendência de Recursos Hídrico e os organizadores do evento: D’Aventura Esportes e Turismo e a Caatinga Trekkers.
 A neutralização de carbono é uma forma de compensar a emissão de gases de efeito estufa gerados por alguma determinada ação, produção ou evento. É realizado um cálculo de todos os gases emitidos, como viagens aéreas, vôos de helicóptero, consumo de papel, copos plásticos, dentre outros. Depois de mensuradas as toneladas de carbono, calcula-se quantas mudas de árvores nativas precisam ser plantadas e acompanhadas para que alcancem a fase adulta. Assim, essas árvores serão as responsáveis pela neutralização de todo o carbono gerado.
 O carbono gerado pelo evento será neutralizado com o apoio técnico da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e Superintendência de Recursos Hídricos, a partir do plantio e acompanhamento de maturação de 250 mudas de árvores nativas que foram plantadas na Barragem do França e no Parque Estadual das Sete Passagens, trajeto da corrida.
A cada ano, a organização do evento busca interagir com as co-munidades locais, resgatar um pouco a história da região e valo-rizar os aspectos socioculturais. A corrida passou por caminhos que fizeram parte da antiga “Estrada Real”, utilizada pelos garimpeiros para levar o ouro extraído das minas de Jacobina até Paraty.