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 Aterros sanitários entram na mira do MP

Levantamento do Ministério Público Estadual (MPE), em fase de aprovação para ser publicado, mostra uma das faces da situação de precariedade ambiental na Bahia. O resultado é caótico: o estado dispõe hoje de 438 lixões ou depósitos de lixo a céu aberto. Além disso, a maior parte dos 55 aterros sanitários implantados pela Conder - o MPE/BA ainda não pode divulgar o número exato -, não detém licença ambiental do Centro de Recursos Ambientais (CRA) e não atende às normas técnicas para funciona-mento. As conseqüências são catastróficas. Os lixões emitem metano, o segundo gás mais importante para a intensificação do efeito estufa, depois do dióxido de carbono (ou gás carbônico), contribuindo para o aquecimento global.
A denúncia extraída do relatório "O desafio do lixo" será apresentada pelo procurador-geral de Justiça, Lidivaldo Britto, aos secretários estaduais e municipais de Meio Ambiente e Saúde, já que o descarte inadequado de resíduos sólidos é também um problema de saúde pública. A situação já havia sido apontada em 2000, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. À época, foi verificado que, dos 751 distritos baianos com serviço de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, 692 tinham depósitos a céu aberto. Todos com sérios problemas de acondicionamento e tratamento dos resíduos.
Por causa dos primeiros resultados obtidos com o levantamento, já no início de março, 30 prefeitos haviam sido convocados para assinatura de um termo de ajuste de conduta (TAC). Por meio do documento, os gestores se comprometeram com o MPE a regularizar o acondiciona-mento e tratamento do lixo nos municípios. No caso dos prefeitos que se recusarem a fazer o acordo, o órgão vai impetrar ação civil pública exigindo reparos de cada uma das prefeituras, pelos danos causados ao meio ambiente. Vai ingressar na Justiça também com ação penal pelo crime de poluição, previsto no Artigo 54, da Lei 9.605/98. Com isso, pode haver condenação do gestor municipal, com pena que varia de seis meses a um ano de detenção.
Jacobina (Da reportagem local) - A situação do lixão de Jacobina, que fica localizado a cerca de 15 quilômetros, à margem esquerda da estrada que liga Jacobina-Miguel Calmon, também é muito preocupante. Segundo informações da Assessoria de Comunicação do município, no próximo dia 11 de julho, no Centro Cultural Edmundo Izidoro dos Santos, acontece uma reunião com o Ministério Público local e prefeitos da região, para discutir "a destinação dos resíduos sólidos". O prefeito de Jacobina, Rui Macedo, propõe que seja construído um aterro sanitário que atenda os municípios da região, já que, segundo Macedo, o município de Jacobina não pode assumir sozinho, o custo da construção de uma de tal envergadura.