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Tradição e fé marcam festejos religiosos

       Milhares de devotos reali-zaram os festejos a São Benedito, na Segunda-feira de Pentecostes (28), em Jacobina, com uma missa, à tarde, celebrada por frei Miguel, na Igreja Matriz Santo Antônio de Jacobina, seguida de procissão, juntamente com os integrantes da Marujada e Divino Espírito Santo, mantendo uma das mais tra-dicionais e populares manifes-tações religiosas do município. Houve, também, distribuição de fitas e pães bentos, além de pagamento de promessas. Outro destaque das comemorações foi o garoto Álisson Amorim Barbosa, 12 anos, que se vestiu como o santo e uma das fiéis que carregava um facho de lenha sob a cabeça. Estes costumes foram observados, ao longo do tempo, entre famílias que, de uma ou outra maneira, pagavam as promessas feitas a São Benedito. A data foi significativa, também, para os integrantes da Marujada, que fizeram uma homenagem especial em louvor ao santo, numa das raras aparições públicas do grupo durante o ano, para o deleite e a emoção dos que admiram e respeitam a Marujada de Jacobina.
A Marujada, no entanto, fez uma breve apresentação (antes da missa), mas já havia desfilado pelas ruas da cidade, nas primeiras horas do dia, com uma alvorada festiva. Atualmente, com seus mais de 30 integrantes, é considerada uma das mais importantes manifes-tações culturais de Jacobina, sendo formada por descendentes negros das famílias Caranguejo e Labatut. O “capitão” Edvaldo Oliveira de Deus, 53 anos, há oito anos parti-cipa da Marujada e é o único repre-sentante da família Caranguejo. Ele conta que o avô, Manoel Teodoro, um dos 200 anos, desde quando a Marujada passou a existir em Jacobina”, disse. Além desta relíquia, “capitão” Edvaldo tam-bém adquiriu a paixão pela Maru-jada e o desejo de mantê-la em atividade através das próximas gerações. “Por enquanto sou o últi-mo Caranguejo, mas estou esperan-do meu neto, que já quer entrar na Marujada, aos quatro anos de idade”, ressaltou.
José Carlos Silva de Paula, 50 anos, mais conhecido como Santos é o presidente e o “mestre” do grupo e, desde os 8 anos de idade, sai na Marujada, sendo desta, consi-derado um dos mais importantes protagonistas e defensores. “Não podemos deixar a tradição cair”, declara. Enquanto “capitão” Edvaldo espera o neto atingir os 7 anos (idade mínima para integrar o grupo), Santos já desfruta da satisfação de ver filho e neto se apresentando. “Já estão na Marujada meu filho de 22 anos e meu neto de 7 anos”, frisou. Trata-se de Renato Paula Evangelista e Rômulo Vinícius, respectivamente. Para não deixar “a tradição cair”, ele vem contando com o apoio da prefeitura municipal, que repassa alguns recursos materiais, tais como fardamento e fogos de artifício e que também já patro-cinou a apresentação do grupo em eventos de nível estadual. O que resiste, ao longo dos séculos, e que parece manter a Marujada é, no entanto, a união do grupo e o amor à causa.
Estas características cha-maram a atenção de Jorge Luís de Carvalho, 41 anos de idade e três anos dedicados à Marujada. “A Marujada é mais que um grupo, é uma irmandade. Você entra na Marujada e se sente como se nela estivesse já há 100 anos. A receptividade e a amizade são enormes. Existe também um comprometimento muito grande entre todos”, declarou. É o caso do “marujo” Francisco dos Santos que estará completando neste mês 90 anos de idade, e que participa há 35 anos da Marujada. Ele já nem se lembra mais de quantas vezes se apresentou com o grupo. Apenas tem a certeza de que a Marujada é sua paixão, assim como para o “contra-mestre” Espiniano Santana da Silva, 62 anos, integrante desde os 20 anos de idade. “Eu amo a Marujada. Desde a primeira vez que a vi, quis participar e estou até hoje”. Santana lembrou ainda que uma das apresentações que marcou o grupo foi durante o Festival do Interior, em Salvador, em 2006 e a próxima está prevista para 13 de junho, Dia de Santo Antônio, padroeiro de Jacobina.