|
As ações desenvolvidas pela Agência Estadual
de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações
da Bahia (Agerba) estão trazendo uma série de transtornos aos usuários
de transporte alternativo e ao comércio em geral. Estas ações começaram
a ser desenvolvidas a cerca de 15 dias e têm levantado vários
questionamentos de usuários, comerciantes, políticos e proprietários de
veículos.
Segundo uma dezena de motoristas ouvida pela reportagem do Primeira
Página, dificilmente haverá uma solução para o problema. Os motoristas
disseram que a fiscalização da Agerba é um equívoco porque o transporte
alternativo já existe há mais de 20 anos e que a agência não tem
interesse em regularizá-lo, pois se tivesse não faria as exigências que
faz.
Para regularizar a situação, eles disseram que é necessário ter um carro
novo, com ar-condicionado e uma série de equipamentos, que não sai por
menos de 100 mil reais, e isso, segundo eles, é praticamente inviável.
“As exigências são tantas que ninguém tem condições de cumprir. Com um
dinheiro desse eu compraria um caminhão. Parece que eles já fazem isso
para que a gente não consiga nunca trabalhar em paz”, disse um
motorista.
Os motoristas também alegam que não fazem concorrência com as empresas
de ônibus, já que tais veículos circulam lotados e também não atendem a
população a contento. “Nós não atrapalhamos as empresas de ônibus porque
fora a linha de Capim Grosso, nas demais localidades da região os ônibus
são insuficientes e depois a maioria das pessoas que trazemos temos que
ir buscar em suas casas por serem pessoas idosas, coisa que as empresas
de ônibus não o fazem”, afirmaram.
Com a repercussão das ações houve uma reação por parte de alguns
comerciantes que viram o reflexo imediato no comércio local. Os
comerciantes cobraram uma posição da prefeitura para que interfira junto
à Agerba no sentido de amenizar a fiscalização. “O comércio já está
fraco e ainda vem uma ação dessa magnitude, parece que eles querem o fim
de Jacobina”, disse um comerciante que pediu pra não divulgar seu nome.
Em entrevista à Radio Jacobina FM, o prefeito Rui Macedo afirmou que a
única interferência que poderia fazer era em relação ao trans-porte
dentro do município e isso ele já teria feito ligando para o diretor da
Agerba, que garantiu que a agência não estava fiscalizando os carros dos
distritos de Jacobina. O prefeito disse que quanto ao transporte
intermunicipal nada poderia fazer, sugerindo que os proprietários de
veículos regularizassem suas situações junto ao órgão.
“As pessoas precisam compreender que as empre-sas que fazem transporte
rodoviário pagam impostos e também cobra do Estado, portanto essa é uma
questão que transcende a nossa interferência. Acho que isso deve ser
discutido com o diretor da Agerba porque se trata de transporte
irregular", ressaltou Macedo.
Na última quinta-feira (24) a reportagem ouviu alguns motoristas que
disseram que esta semana houve um alívio na fiscalização. “Soubemos que
os fiscais estão atuando em Irecê, mas logo voltarão pra cá pra tirar a
paz da gente”, disse um motorista. O diretor de fiscalização da Agerba,
Almir Melo Júnior ratificou a informação diante uma manifestação feita
em Feira de Santana no último dia 16. “A fiscalização vai continuar e
será mais intensa”, assegurou.
|