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Mensagem ao amigos de Lelinho

    Teve inteira razão o Dr. Tuca, na iniciativa de falar à beira do túmulo de Lelinho. Na verdade a nossa despedida ao velho amigo, não devia ter sido silente, apenas amparada na mutez do sentimento de perda que nos atingia a todos. Outras vozes deveriam ter se pronunciado, reconheçamos, fazendo coro à realidade da própria existência do dileto amigo. Uma vida alegre e participativa. Festiva por bem dizer. Quem não se recorda, por exemplo, da célebre “Lavagem do Beco do Lelinho”, tradicional festejo que em vários anos constituiu-se na abertura do Micareta local. Ali, à frente e ao lado do seu estabelecimento comercial, encimado por sua residência, ele e uma vasta corrente de amigos (daqui e de fora), sob a sua entusiasmada coordenação, programavam, já com antecedência, os mínimos detalhes do encontro festivo, que enfim explodia na mais contagiante alegria e participação geral, assinalando o início da maior festa popular de Jacobina.
O cortejo que se seguia à lavagem da rua, desfilava pelo centro da cidade com os seus integrantes uniformizados de camisetas confeccionadas com motivos da festa; enquanto um grupo, a caráter, fantasiando o “belo sexo” – onde ele era o destaque – sacrificada, mas decidida e garbosamente, formavam a Comissão de Frente de que constavam a Rainha, as Princesas e outras “damas” da Coorte de sua majestade momesca (entre elas D. Mirinha), numa brincadeira de bom gosto, que homenageava, sem dúvida, o característico estilo feminino. A participação do “Carro Pipa” ou do veículo do Grupo Contra Incêndios, da mineração, lançando jatos de água contra tudo e sobre todos ao seu alcance, numa providência que amenizava a temperatura e o calor do “sol a pino” e da “pinga”.
A animadora bandinha ao som das velhas músicas carnavalescas e lá iam todos, portando a sua vassoura (da lavagem) e, claro, a latinha de cerveja ou de refrigerante (e de outras bebidas); como também ostentando o boné característico da festa; cantando e dançando para anunciar ao jacobinense que o reinado da folia era vigente. Bons momentos de confraternização que por certo deixarão saudades. Pois, amigos, em coerência a essa sua maneira de ser e de portar-se, no adeus a Lelinho, outras vozes deveriam ter sido ouvidas – eu que não o fiz – faço-o agora para quebrar a mudez. Todavia, quem sabe, o grupo de amigos de Lelinho – em justa homenagem à sua memória – poderá vir a realizar outras edições da festiva lavagem do beco. Esperemos!
Hugo Oliveira Piauhy