|

Os problemas do Hospital Antonio Teixeira Sobrin ho (HATS) já são
conhecidos de todos e foram levantados pelo Primeira Página que
denunciou as irregularidades ocorridas ali, o que acabou precipitando a
renúncia da antiga mesa diretora e levando a Justiça a interferir a
pedido do Ministério Público. De lá pra cá vários fatos ocorreram até
que a Justiça entregou a administração do hospital à Prefeitura
Municipal de Jacobina por um período de dois anos.
Desde então o hospital vem funcionando regularmente, mesmo com algumas
dificuldades pontuais. Desde quando o município assumiu ficou clara a
insatisfação de alguns segmentos que perderam o controle da situação e,
segundo informações que circularam na cidade, o médico Manoel Ignácio
Brandão Martins Paes Júnior (Tuca), que era da antiga diretoria, tinha
uma grande ingerência no HATS devido a relação antiga com os
funcionários, isso teria levado os gestores a pedir que o juiz o
afastasse do hospital.
Como qualquer instituição que lida com a saúde, o HATS é um celeiro de
votos e o interesse para administrá-lo é grande, e os oportunistas que
querem ganhar espaço e se aparecer como seus defen-sores, maior ainda. O
que vem cau-sando polêmica hoje é se o hospital vai ou não ser
municipalizado e quais os mecanismos para isso ocorrer. Se depender da
disposição do prefeito Rui Macedo e do Governo da Bahia, as chances são
enormes por que ambos já se manifestaram sobre o assunto. |
Como houve várias manifes-tações acerca da demissão de 12 funcionários e
proibição de alguns médicos de atuarem no hospital, a reportagem do
Primeira Página esteve lá e conversou longamente com o diretor-médico, o
anestesista Freddy Moreno Jaime que explicou o que de fato estava
ocorrendo. Segundo o diretor, nenhum colega foi proibido de adentrar às
dependências do prédio e que ao contrário do que foi dito na imprensa, o
médico Júman Oliveira não foi afastado do hospital.
Ele disse que o médico, assim como outros colegas, não estavam tendo
tempo de atender os pacientes do hospital e suas clínicas particulares e
com isso os pacientes seriam prejudicados. Ele disse que apesar dos
profissionais serem bastante qualificados e excelentes médicos, não
poderia mantê-los ali se eles não pudessem acompanhar o paciente numa
pós-cirurgia. “Alguns médicos tradicionais como vocês conhecem não foram
convidados a trabalhar aqui porque não se adaptaram ao novo sistema,
porque para trabalhar aqui agora tem que cumprir as normas do hospital”,
justificou.
“Esses médicos queriam tra-balhar de acordo como antigamen-te e isso não
é interessante para o hospital, pois prejudica seu bom funcionamento. Um
médico que só pode operar no sábado, mas não pode fazer o
pós-operatório, por melhor que seja não me serve, porque o lógico é o
médico operar e acompanhar o paciente. Essa história de que um médico
não pode entrar no hospital é mentira, qualquer médico pode entrar
visitar alguém sem nenhum problema, agora, se ele quiser atender um
paciente e avaliar um prontuário, terá que pedir permissão a mim, isso é
norma do hospital”, reiterou.
O diretor disse que apesar das dificuldades já conseguiu manter um
clínico e um cirurgião de plantão de segunda a sexta-feira e que já está
viabilizando um cirurgião para dar plantão nos finais de semana. Disse
ainda que dois anestesistas estão de sobreaviso o tempo todo e que a
clínica de hemodiálise está funcionando perfeitamente bem. Sobre as
demissões, Freddy Moreno disse que não era de sua competência e sim do
diretor administrativo, que não estava naquele momento no hospital.
A reportagem esteve em várias enfermarias do hospital e entre-vistou
diversos pacientes que disseram estar satisfeitos com o atendimento
recebido. Uma das pessoas ouvidas foi Maria Dalva Moreira, que
acompanhava uma paciente. Ela disse que não poderia ser melhor atendida
do que foi e que pontualmente os medicamentos e alimentos são servidos a
todos. Em outra enfermaria a paciente Elisa da Silva Soares afirmou que
está sendo muito bem atendida. Acompanhada da filha, ela espera
recuperação para sair.
A reportagem também conversou com várias senhoras que deram à luz e
todas foram unânimes em afirmar que o hospital agora vive outra
realidade. Uma das coisas questionadas ao diretor foi em relação às
novas regras impostas pela direção que não permitem a entrada de
mulheres de minissaias, fato que parece ser equivocado dada à nossa
cultura tropical. Ele disse que não poderia responder sobre isso,
ficando de noutra oportunidade questionar o diretor administrativo ou o
prefeito sobre o assunto.
|