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Conferência debate participação e valorização da mulher na sociedade

 

>> Na abertura da conferência, que contou ainda com a presença do presidente da Câmara de Mu-nicipal, Gledston Amorim, e da vereadora Claudenice Carvalho Freire, o prefeito Adilson Nasci-mento lembrou que o evento é um marco histórico, pois, pela primeira vez, o município parou para refletir sobre a importância do papel da mulher no dia-a-dia da comuni-dade. “Precisamos urgentemente corrigir essas disparidades que existem das mulheres em relação aos homens. O papel exercido pelas mulheres é fundamental em todas as atividades, mas, na prática, nem sempre existe esse reconhecimento”, lembrou o prefeito.
Nascimento enfatizou que a iniciativa do secretário Hidamar Santos Moura, da Ação Social, em promover a 1a Conferência de Políticas para Mulheres é um passo importante que o município dá para corrigir essas disparidades. “Aqui em Mirangaba, muitas mulheres exercem duplo papel. Além de cuidar da casa e dos filhos, trabalham duramente para custear as despesas do dia-a-dia. Então, é mais do que justo rever essa relação, até por uma questão de justiça”, analisou o prefeito.
O secretário Hidamar Santos Moura também tem visão semelhante. Na sua opinião é preciso desenvolver políticas voltadas à criação de mais oportunidades ao segmento feminino, principalmente através da qualificação e acom-panhamento social dessas mulheres, a maioria donas-de-casa que administram famílias numerosas, e que enfrentam o desemprego e o preconceito dentro e fora do lar. “Aqui é muito pouco, mas em Miran-gaba, com apoio do prefeito, estamos fazendo a nossa parte para corrigir essas distorções”, argumentou.
Nesta primeira conferência foram debatidas questões como a humanização na saúde das mu-lheres, que teve como palestrante a enfermeira Paula Emanuelle Men-des Souza; e a mulher-desafio pela igualdade no mundo do trabalho, abordado pela primeira-dama Patrícia Miranda Nascimento, que fez uma ampla explanação sobre a desigualdade que há entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Através de dados oficiais, Patrícia Nascimento mostrou que, apesar de qualificadas, a remuneração das mulheres é na maioria dos casos inferior à percebida pelos homens. “Esse problema se agrava ainda mais entre as mulheres negras, que enfrentam ainda mais preconceito. É preciso mudar esse quadro, principalmente, com investimentos em educação, qualificação profissional e uma política voltada ao combate dessa desigualdade”, afirmou.
Para a assistente social Eline da Silva Nascimento, uma das palestrante do evento, outra preocupação é a violência contra as mulheres. Ela lembrou que em muitos casos essa violência passa despercebida, porque é praticada dentro de casa, no seio da família. “Mulheres temem denunciar, com medo de represália ou por não querer ver uma pessoa da família respon-dendo a um processo judicial”, salientou. Na opinião da assistente social, esse quadro tem mudado, principalmente, nas cidades onde existe Delegacia de Atendimento à Mulher.
Além dos temas debatidos pelos conferencistas, foram criados grupos entre os participantes, que apresentaram, debateram e votaram sugestões que integrarão um documento de políticas públicas de valorização da mulher. Esse documento norteará o município nas ações voltadas ao combate da desigualdade de sexo.