Municípios

Professores acusam prefeito de descaso e perseguição

 

Os professores da rede municipal de Ourolândia cruzaram os braços desde segunda-feira(4). Eles reclamam do descaso e da perseguição da qual dizem ser vítimas. Numa nota divulgada pela categoria foi decretada a morte da educação no município, por conta do “desrespeito ao profissional da área, descasos, opressão a quem pensava a educação como meio de libertação de um povo e perseguição política a quem imprimiu uma luta árdua para tornar a educação prioridade em nosso município”.

A categoria reclama de baixos salários e atrasos de até dois meses para alguns profissionais da área de apoio, além da ameaça concreta do prefeito não pagar o terço de férias a que tem direito e do descumprimento da norma constitucional de que nenhuma categoria deva receber salário inferior ao mínimo. Alguns professores, conforme comprovado pelos contra-cheques a que a reportagem teve acesso, recebem 300 reais de salário base quando o salário mínimo nacional é de 350 reais.

Segundo Duvanilde Pereira da Silva Dantas, coordenadora do núcleo da APLB no município, a alegação do prefeito é que só paga esse valor porque esse foi o valor instituído pela Câmara de Vereadores, mas ela lembra que quando a Câmara aprovou esse salário de 300 reais, o valor do salário mínimo era 260 reais e até agora o prefeito não manifestou interesse em corrigir a defasagem. Uma comissão de professores que esteve na redação do Primeira Página informou que o prefeito Antonio Araújo esteve na Câmara Municipal em agosto, e teria dito que tinha interesse em resolver os problemas dos professores e que iria tomar as medidas para isso.

No entanto, decorridos quatro meses, eles afirmam que nenhum passo foi dado, mas o que iniciou ali foi uma onda de perseguição sem precedentes na história daquele município. Segundo os professores, muitos colegas foram transferidos de localidade sem motivo aparente. Uma professora que foi transferida, segundo eles, lecionava há 18 anos na mesma escola e agora tem que ir dar aulas no interior do município de bicicleta. O prefeito também é acusado não pagar o 13º salário de 2004 e não fazer o rateio da sobra dos recursos do Fundef no final do ano passado.

As sobras somavam cerca de 465 mil reais que deveriam ser rateadas entre os professores do ensino fundamental conforme prevê a lei. O mais grave de tudo, segundo os professores, é que com a desculpa de que os alunos não podem perder o ano, o prefeito estaria colocando outros profissionais para dar aulas, inclusive pessoas alheias à educação. Os professores garantem que nenhum aluno perderá de ano e que os pais não precisam se preocupar, mas que para criar um clima o prefeito tem tentado jogar os pais contra eles.

“Estamos no final do ano letivo e não queremos prejudicar nossos alunos e, consequentemente suas famílias, pois eles nada têm a ver com o impasse entre nós e a prefeitura, entretanto, num ato radical o prefeito colocou pessoas para lecionar em nossos lugares, numa atitude desrespeitosa e antipedagógica, recusando-se a negociar”, desabafaram. Eles disseram também que a tentativa de transformar a manifestação num “movimento político”, é uma forma do prefeito se esquivar de sua irresponsabilidade em atrasar os salários dos funcionários de apoio da educação.

Os professores ainda denunciam o fato de o prefeito ter retirado o veículo que transportava os professores para estudar na Uneb, como um ato de perseguição, pois só foi cortado para os  concursados, ao passo que para os contratados continua pagando o transporte numa demonstração clara de que se usa dois pesos e duas medidas. Outra reclamação é que em 17 de agosto foi feito um acordo em que o prefeito pagaria um salário mínimo, mais o ressarcimento dos meses anteriores e por dois meses foi feito, mas depois o prefeito suspendeu o pagamento sob a alegação de que os valores creditados se referiam ao rateio do Fundef.

Para os professores essa alegação não cola, porque em caso de rateio todos os professores teriam que receber e só recebeu quem ganhava menos de um salário mínimo. Cópias de alguns contra-cheques que a reportagem teve acesso fica claro que o valor de 100 reais creditados não é especificado como rateio do Fundef, e sim, como gratificação especial. A reportagem buscou contato com a Prefeitura de Ourolândia, na quarta e na quinta-feira, mas não conseguiu  falar com o prefeito, nem com a secretária de Educação.

Na quinta-feira os vereadores Marisvaldo Benício da Gama, Guidacy Ribeiro Piovezan Gallert (Guida), Jeanes Ribeiro do Santos Almeida e Eustáquio Freire Neto encaminharam correspondência ao Primeira Página denunciando também a falta de respeito de alguns vereadores da situação para com o categoria dos professores."O vereador Luiz Alberto, da bancada da situação, não concordando com o pronunciamento do professor Cícero, de forma agressiva obrigou o presidente Lialdino Barbosa de Miranda a tomar o microfone das mãos do professor, ato este que deixou a categoria bastante revoltada e indignada, pois a maioria dos servidores públicos de Ourolândia estavam presentes na Câmara durante esta sessão. Houve um grande número de vaias que mostraram a desaprovação do ato grosseiro praticado pelo presidente da Câmara e o vereador da situação Luiz Alberto. Na sequência todos começaram a gritar de forma uníssona: ‘quere-mos socorro à educação de Ourolândia e todos os funcionários da rede municipal’”, disseram.

Falando em nome dos colegas de oposição, a vereadora Guida disse à reportagem do Primeira Página que o descaso do prefeito é de tal magnitude que ele anda pelas ruas exibindo um cinismo como se nada estivesse acontecendo e que ao tentar se desculpar como fez, através de seu assessor de Comunicação Evilásio Alves de que foram os vereadores que criaram o salário de apenas 300 reais, ele está sendo no mínimo irresponsável, pois a idéia dos vereadores ao dar o aumento quando o salário ainda era 260 reais, era para que fosse mantido o poder de compra, e ele tinha o dever de reajustá-lo.




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