Jacobina

Moradores do Pontilhão denunciam vereador

 

Um grupo de moradores do Pontilhão, interior de Jacobina, procurou a redação do Primeira Página para formular uma denúncia contra o vereador Juliano Cruz que, segundo eles, estaria enganando os moradores. Ao tomar conhecimento da denúncia, nossa reportagem esteve na localidade e ouviu diversas queixas dos moradores, que estão se sentindo traídos em sua boa-fé. Eles afirmam que no período da campanha eleitoral foram procurados pelo vereador e sua mulher, que foram pedir votos para seus candidatos com a promessa de que havia um recurso do governo para construção de 75 banheiros, sem especificar se as verbas eram de origem federal ou estadual.

De acordo com os moradores, foram feitas três reuniões, todas encabeçadas pelo vereador e pelo presidente da Associação do Pontilhão Paulo Ângelo da Silva, conhecido como Irmão Paulo, aonde foi prometido que cada morador teria um banheiro completo, com todos os acessórios. Alguns moradores disseram que ficaram desconfiados da promessa, mas que logo após as eleições o grupo esteve novamente para cumprir o prometido, desta vez, acompanhado de uma pessoa que foi apresentada como engenheiro do projeto (trata-se do empreiteiro Gildo Mota) e do diretor da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Olaf Nunes. Segundo os moradores foi dito nessa reunião que parte do dinheiro já estava na Caixa Econômica Federal.

Nessa visita foi determinado que os moradores deveriam colaborar com o projeto, abrindo as fossas, sendo estipulada a metragem de 2,70x1,0x1,70m para o comprimento, largura e profundidade. Muitos moradores abriram os buracos, outros pagaram para fazer o serviço e depois de tudo pronto ficaram esperando o início das obras. Depois veio a notícia de que não ia mais sair os banheiros. Os mora-dores disseram que procuraram o Irmão Paulo, mas que este informara que para sair os banheiros, cada morador teria que pagar cinco reais por semana para ter o serviço feito.

Segundo eles foi perguntado ao gerente da CAR se demoraria em sair o projeto e ele teria dito que dentro de no máximo um mês tudo estaria resolvido e que primeiro seria feito uma parte e depois a outra. A reportagem esteve na residência do presidente da associação e ele confirmou parte dos fatos, no entanto, ele negou que tenha havido recebimento de algum recurso. Ele disse que há vários anos vem lutando pela construção dos banheiros e que há cerca de cinco meses foi procurado pelo vereador que garantiu que haviam sido liberados, mas que não poderiam ser construídos naquele momento por conta do período eleitoral.

Ele disse que assim que passou as eleições foi procurado pelo vereador que, em companhia de Olaf e Gildo Mota, teria levado o contrato para ser assinado e que foi dada a garantia de que com a assinatura do convênio logo seriam construídos. Ele confirmou que o gerente da CAR disse que no máximo em um mês teria início as obras, inclusive foi aberta uma conta para receber os recursos. Sobre o que foi dito pelos moradores que parte do dinheiro já estava na Caixa, ele negou que tenha havido essa conversa, já que, segundo ele, nenhum dinheiro foi liberado.

Sobre o fato de haver solicitado o título de eleitor dos moradores, ele disse que isso não foi em função da eleição, mas para ter certeza de que os moradores de fato moravam ali. Ele mostrou cópia do contrato e até um modelo de placa deixado pelo gerente da CAR que deveria ser colocada no local quando iniciasse a construção. Ele mostrou também um documento da CAR com os modelos dos banheiros que seriam construídos. Ele disse que havia dado um prazo que venceu no último dia 15 para se manifestar sobre o fato, mas que com a denúncia dos moradores deixará que eles resolvam. Ele disse ainda que está muito chateado com tudo isso, pois esperava outro desfecho.

A reportagem ouviu também o vereador Juliano Cruz que negou recebimento de qualquer importância e que a expectativa foi criada porque com a assinatura do convênio e a publicação no Diário Oficial do Estado, tudo indicava que não haveria demora na liberação, mas que nenhum recurso foi liberado. Segundo ele, as pessoas não entendem os trâmites burocráticos e acabam falando as coisas sem saber. Ele negou ter afirmado em alguma circunstância que o dinheiro já estava na Caixa Econômica Federal, como disseram os moradores. Perguntado se a suspensão dos recursos se deu em decorrência da derrota eleitoral, Cruz disse que não acreditava nisso, mas que está envidando esforços para que os recursos saiam antes do final do governo Paulo Souto.

Ele disse ainda que nenhum recurso é liberado sem que haja o devido controle por parte dos órgãos controladores e que na maioria das vezes, a empreiteira  tem que fazer o serviço com os próprios recursos para depois receber e que portanto ele repudia qualquer insinuação de que tenha vindo algum recurso para essa finalidade e não tenha sido utilizado. A reportagem também falou com o gerente da CAR, Olaf Nunes, e ele informou que sua responsabilidade era a assinatura do convênio e nas duas vezes em que esteve lá foi em virtude disso.

Feita sua parte, ele disse que os documentos foram encaminhados para Salvador e aguarda a liberação dos recursos que serão depositados na conta da própria associação. Ele também falou que não há nada que possa fazer a não ser aguardar e que os projetos são feitos com critérios sem quaisquer possibilidades de prejuízos aos beneficiários. Olaf falou ainda que não retornou à localidade porque está esperando a liberação e quando ela sair, ele retorna para acompanhar a execução do projeto. 




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