| Metropolitana |
Seminário revela números da violência contra crianças |
De acordo com a Sociedade Internacional da Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância, 12% das 55,6 milhões de crianças com menos de 14 anos sofrem algum tipo de agressão. A mesma organização denunciou que 18 mil crianças são agredidas por dia, 750 violentadas por hora e 12 vítimas de agressão por minuto. As mais afetadas são meninas entre 7 a 14 anos que sofrem, principalmente, abuso sexual. Já a violência física atinge tanto meninos quanto meninas.
Esses dados foram apresentados no Seminário de Nivelamento para professores da rede municipal de ensino de Lauro de Freitas, oficineiros e educadores comunitários que participam dos projetos Escola que Protege e Escola Aberta. Os dois projetos são implementados em escolas do município, através da secretaria municipal de Educação. O seminário foi conduzido pelas professoras Ângela Damasceno, Relcytam Lago Caribé e Vera Regina Rodrigues, técnicas do governo federal.
A proposta principal do seminário foi o de sensibilizar os professores e coordenadores pedagógicos para que saibam identificar quando a criança ou o adolescente foi vítima de violência sexual, física, moral ou psicológica. No seminário, os educadores também conheceram os procedimentos legais que podem ser adotados para acionar judicialmente o agressor. As sanções vão desde o encaminhamento do abusador para tratamento psicológico, pena de reclusão ou outra penalidade arbitrada pelo juiz competente.
As profissionais técnicas explicaram que crianças e adolescentes extremamente tímidos e ariscos, que apresentam frequentes escoriações pelo corpo, que são agressivos, que relutam em voltar para sua residência no final das aulas e que sentem necessidade de chamar atenção podem sinalizar que estão sofrendo algum tipo de agressão.
Ao identificar uma destas situações, o professor deve procurar se aproximar da criança e conquistar a sua confiança. Só assim ela vai relatar se está sofrendo algum tipo de constrangimento.
Segundo Ângela Damasceno, o papel do professor, caso a criança esteja sendo agredida, é levar o caso à direção da escola, que deverá chamar os pais para conversar sobre o problema. Se for constatada a violência, a criança ou adolescente será encaminhada ao Conselho Tutelar de sua cidade ou delegacia, para que o agressor seja intimado a prestar esclarecimentos.
A segunda etapa de capacitação dos professores, oficineiros e educadores populares e comunitários acontecerá de seis a oito de novembro, na ONG Rever, localizada no Parque Santa Rita, em Itinga. O objetivo desse encontro é o Fortalecimento da Rede de Proteção as Vítimas de Violência no Espaço Escolar. A rede é formada pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, Conselhos Tutelares, Vara da Infância e Juventude, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA) e outras instituições cuja missão é a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência