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Cooperativa promove independência de famílias |
A Cooperativa de Agentes Ecológicos de Canabrava (CAEC), que reúne 41 famílias de catadores de lixo e a Fábrica de Cidadania, que emprega mulheres no trabalho de confecção dos uniformes utilizados por alunos da rede municipal de ensino, são dois programas de geração de renda que visam a emancipação econômica de pessoas que hoje dependem de programas oficiais de transferência de renda em Lauro de Freitas. Quase 10 mil famílias do município estão incluídas no programa Bolsa Família, do governo federal.
A Cooperativa de Catadores (CAEC) é um projeto da prefeitura, com o apoio da Petrobras e da ONG Pangea – Centro de Estudos Socioambientais. Foi criada em março de 2006. Antes de integrarem a cooperativa, as famílias recolhiam os resíduos e vendiam o material para atravessadores. O preço obtido, por exemplo, por uma garrafa pet, passou de R$ 0,20, para R$ 0,66 no sistema cooperado.
O BNDES anunciou esta semana uma nova linha de crédito para cooperativas de catadores de papel em todo o país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 5.564 municípios brasileiros, 65% possuem lixões. O sistema de coleta seletiva de resíduos já existe em 327 cidades, sendo que, destas, 43,5% desenvolvem programas em parceria com cooperativas. Dados do governo apontam que, no Brasil, há cerca de um milhão de catadores de papel [leia na página 4].
Hoje os trabalhadores recolhem embalagens plásticas, papelão, ferro, vidro, entre outros recicláveis, e transportam o material até o galpão de reciclagem, no Bairro Caji. Lá, a produção de cada um passa por uma triagem. Os resíduos são pesados, prensados e comercializados para compradores fixos. No final do mês, a renda oriunda da venda é dividida por todos.
A média de rendimento dos catadores é de R$ 280, mas dependendo do volume recolhido pode chegar a R$ 500 mensais. "Pra mim melhorou muito e quero que melhore muito mais. Antes eu entregava material para o atravessador e passava mais dificuldade e agora, com a cooperativa, graças a Deus, tenho um trabalho fixo", conta Cláudio dos Santos Amorim, 36 anos, que tem três filhos. Além do trabalho de reciclagem e venda, a cooperativa oferece aos catadores acompanhamento social e cursos de capacitação e alfabetização.
A secretária de Trabalho, Assistência Social e Cidadania do município, Maria de Lourdes Lobo, destaca que as famílias dos catadores antes viviam em um nível de pobreza extremo. Lobo garante que o município tem se esforçado para dar autonomia de subsistência aos beneficiados pelos programas de transferência de renda. “A dificuldade é que temos famílias muito numerosas no município, com média de número de filhos que chega a oito, nove ou 10", ressalta.
Na Fábrica de Cidadania, que reúne costureiras para atender a rede municipal de ensino com a confecção de uniformes, a expectativa é atingir salários de R$ 1.500. Atualmente as profissionais recebem R$ 450. Com a assinatura de um convênio com o ministério dos Esportes, a Fábrica de Cidadania passará a empregar mais 400 costureiras no ano que vem [leia nesta página].
Queite Cristina dos Santos Silva, 30 anos, moradora de Vila Nova de Portão, era uma das beneficiárias do Bolsa Família. Em agosto passado, Queite, que é casada e mãe de dois filhos, abriu mão dos R$ 80 que recebia do programa mensalmente, desde 2003 porque conseguiu emprego. Foi selecionada para uma vaga de agente de saúde.
Orgulhosa com o novo trabalho, ela aposta na melhoria de rendimentos para terminar a casa de alvenaria, que está em obras. Queite aponta para os sacos de cimento no chão da sala. "Estou comprando as coisinhas aos poucos. A gente está apertando um pouquinho o cinto, mas vamos conseguir terminar nossa casa", afirma.
Queite chegou a iniciar a um curso superior com a ajuda do Programa Universidades para Todos (ProUni), mas teve que desistir porque a carga horária – conciliando trabalho e estudo – ficou pesada demais. Agora faz planos de prosseguir, sem perder a ambição: "Quero continuar a universidade porque eu sei que posso crescer mais. E eu quero crescer mais. Eu não posso nem quero parar de estudar".