Jacobina

Exposição fotográfica retrata Jacobina

 

A exposição “Arte e Cidade” é um convite da arte para a Jacobina que lhe serve de referência. Esta cidade composta de inúmeras histórias, trágicas e cômicas, permeada de lendas e personagens que marcaram época, de feição barroca com seus traçados sinuosos, das serras e casas que colorem a paisagem, repleta de ícones, símbolos, belezas e misérias, que serviram de inspiração para os artistas criarem as suas próprias Jacobinas.

Com o patrocínio do Programa BNB de Cultura, o Núcleo de Estudos de Cultura e Cidade da Uneb reúne um conjunto de artistas que apresentam a cidade de Jacobina: histórias, cenas, panoramas, ruas, inscrições, símbolos, festas, personagens, em técnicas e estilos diversos.

O Núcleo de Estudos de Cultura e Cidade (NECC) congrega professores e alunos das áreas de História, Letras, Geografia e Filosofia, que se dedicam a desenvolver pesquisas sobre temas relacionados aos fenômenos urbanos. "Nós compreendemos que se faz mais do que necessário que a Universidade assuma seu compromisso social e intervenha diretamente na realidade urbana", argumentam Alan Sampaio e Valter de Oliveira, organizadores do evento.

Segundo Valter Oliveira, através do Programa BNB de Cultura, o Banco do Nordeste promove o desenvolvimento regional. Incentivando a cultura no interior do Nordeste, o BNB assume seu compromisso social. Ele permite à comunidade local o usufruto de bens culturais, ao mesmo tempo em que lhe oportuniza a geração de emprego e renda.

O NECC organizou em Jacobina, em outubro de 2005, a exposição “Arte e Cidade”. A experiência de reunir diversos artistas de áreas e técnicas diversificadas em torno do tema da cidade foi o ponto de partida para a realização deste projeto. Sobre o mesmo título, “Arte e Cidade: Imagens de Jacobina”, começou ontem, dia 27, e termina no dia 30 de novembro, no Centro Cultural Edmundo Isidoro dos Santos, três exposições: “Memória Fotográfica de Jacobina”, “Narrativas Urbanas” e “Cidade em Cores”.

A exposição “Memória Fotográfica de Jacobina” é uma coletiva de imagens da cidade, que vão do princípio do século vinte aos anos oitenta. A seleção é de responsabilidade do professor Valter Gomes Santos de Oliveira, a partir do acervo de sua pesquisa “A Memória Fotográfica de Jacobina: investigações sobre os fotógrafos e suas obras na cidade”. Composta de 35 obras, a mostra apresenta uma visão panorâmica da produção fotográfica local, com registros de Rosendo Borges, Carolino Figueiredo, Juventino Rodrigues, Aure-lino Guedes, Osmar Micucci, Amado Nunes, Normando Lima (Cueca), Cirilo Rosa, Napoleão Menezes e Lindenício Ribeiro.

A exposição “Narrativas Urbanas” reúne três trabalhos que possuem a foto-grafia como referência. Uma mostra coletiva composta de 30 obras dos três fotógrafos Fábio Carvalho, Normando Neto e Valter de Oliveira, que apresenta uma cidade polissêmica, através de imagens que variam e dialogam nos olhares, nas formas e nas técnicas de obtenção da plasticidade das fotografias. Os três fotógrafos já realizaram outros trabalhos em conjunto, como a exposição “Luzes da Cidade”, na ACcija em 2001 e na UNneb em Cae-tité em 2002. Promoveram também apresentações digitais dentro do projeto Domigueiras, em 2005 e, por último, participaram da mostra “Arte e Cidade”, ao lado de CMatos, Almaques, Gláuber Carvalho, Wodrum (Washington Drummond) e Alan Sampaio. Fazem parte também da exposição um tríptico dos artistas Wodrum e Alan Sampaio, e, deste último, a coleção “Delírio Trágico”, uma narrativa da cidade construída a partir de imagens fotográficas trans-formadas/realçadas/alteradas com traços de nanquim.

A exposição “Cores da Cidade” é um passeio pictórico pelas histórias e lugares de Jacobina em 27 telas dos dois artistas plásticos, CMatos e Almaques, sob a responsabilidade de Alan Sampaio. O primeiro já realizou diversas exposições individuais e coletivas em Jacobina, Salvador e pelo mundo afora. O segundo fez sua estréia na primeira exposição coletiva “Arte e Cidade”. As obras dos dois artistas privilegiam os símbolos, as manifestações culturais, os personagens de rua, os traçados urbanos, com uma sensibilidade para a alegria e para a miséria da cidade. De forma e conteúdo, eles dialogam com a arte moderna - fazendo arte moderna.

Antes de serem representações ou mesmo registros da cidade de Jacobina, explica Alan Sampaio, as imagens são apresentações de certos aspectos seus, notados por olhares e “anotados” por técnicas diferentes. Para serem vistas, as imagens suscitam e requerem a imaginação. E a imaginação é irmã da memória - parceiras no reconhecimento. Por isso, a memória não é um arquivo e a imaginação não procede de um poder interior alheio ao seu tempo. "Ao oferecer imagens que figuram (ou desfiguram) a cidade de Jacobina em épocas e perspectivas distintas, as exposições provocam a memória coletiva, divulgam os antigos e novos artistas, promovem a auto-estima da comunidade e instigam à reflexão sobre a própria cidade", ressalta Sampaio.




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