Jacobina

Professores fazem paralisação de advertência

 

Os professores da rede municipal de Jacobina realizaram na última quarta-feira(25), uma manifestação pelas ruas da cidade pedindo que o prefeito Rui Macedo cumpra os acordos firmados. Após percorrerem várias ruas da cidade com apitaço e gritando palavras de ordem, concentraram-se em frente à prefeitura onde discursaram expondo suas necessidades e reivindicações, especialmente no que diz respeito a questão salarial. Os professores acusam o prefeito de trabalhar contra a educação, pois diante da insistência da categoria em negociar, "o prefeito sequer se dignou em receber uma comissão do sindicato", desabafou uma manifestante.

Os professores estão reivindicando maior transparência nos gastos dos recursos do Fundef; vencimentos compatíveis com a jornada de 40 horas; mudança de nível e classe do professor, com inclusão do professor que leciona há mais de três anos para 40 horas, além da realização de concurso público para preenchimento de vagas e o cumprimento do Plano de Cargos e Salários do Magistério, que apesar de existir, segundo a APLB, não está sendo cumprido. Segundo a APLB/Sindicato é vergonhosa a forma como vem sendo tratada a questão salarial.

Para se ter uma idéia, ressalta a entidade, a lei determina que um professor que tem uma jornada de 40 horas deveria ter o salário dobrado em relação a quem tem 20, mas o município não cumpre a lei. E o pior é a discriminação que existe entre os diversos níveis, sendo que nos níveis 3 e 4 o pagamento é dobrado para quem trabalha 40 horas, enquanto nos níveis 1 e 2 isso não ocorre. Outra irregularidade apontada pelo sindicato é a discriminação do salário no contra-cheque, pois ao invés de colocar o salário-base que a prefeitura paga, é colocado já com as vantagens asseguradas pelo tempo de serviço, com isso alguns salários aparecem com valores diferenciados.  

A categoria também questiona o fato de o prefeito não cumprir o que prometeu em abril de 2005 quando em audiência se compro-meteu em pagar o que determina a lei e que a intenção seria fazer um novo plano de cargos e salários para os professores, mas que devido o pouco tempo à frente da prefeitura não poderia fazer naquele momento, mas que cumpriria o que já estava determinado e até agora não o fez. De acordo com a APLB/Sindicato, alguns professores recebem apenas R$ 90,00 pelas 20 horas que trabalham a mais, uma vez que suas cargas correspondem a 40 horas.

O presidente da entidade, Perisvaldo Santos disse que já foram feitas várias reuniões com o prefeito, sendo que numa delas estava presente Joel Câmara, representante da APLB estadual e até agora só receberam promessas. A última vez que foram recebidos foi em 18 de agosto e o prefeito ficou de estudar e dar uma resposta e marcou duas outras reuniões e desmarcou alegando motivos diversos. Na marcada para o dia 24 último e desmarcada em razão da Feban, os professores foram às ruas.

Além dos problemas salariais, o sindicato afirma que o prefeito não tem sido transparente na prestação de contas do Fundef e vem sistematicamente tentando esvaziar a categoria através de manobras. Uma dessas manobras seria a nomeação dos membros do Conselho do Fundef através de critérios escusos. Santos disse que a categoria escolheu em assembléia e foi constado em ata os nomes para compor o conselho, "mas ignorando tudo isso o prefeito nomeou pessoas com cargos de confiança para a função, com isso as contas são aprovadas sem qualquer fiscalização."

Ele afirmou também que o prefeito não informa ao sindicato onde os recursos estão sendo gastos e até mesmo o número de professores tem negado informar. Inda-gado se já pediu a documentação por certidão, ele disse que sim, mas não foi atendido e que o Ministério Público será acionado para fazê-lo cumprir o que a lei determina. A mobilização que estava prevista para terminar na segunda-feira(30) foi interrompida ontem por decisão da categoria em assembléia, porque o prefeito não estava na cidade, mas se não houver solução, ele disse que haverá greve por tempo indeterminado.

Ainda segundo o presidente da APLB, a categoria espera que o prefeito aja de acordo com o que prometeu durante a campanha e nas audiências. “A categoria está indignada, pois muitos de nós subimos ladeira com ele pedindo votos e agora ele age da mesma forma que o prefeito anterior, utilizando, inclusive, uma lei criada por ele para prejudicar os professores. Ele tinha o dever de agir com democracia e não com perseguição à categoria que o ajudou “, disse. Ele considerou a manifestação positiva, pois contou com a adesão maciça dos professores.

A reportagem do Primeira Página entrou em contato com a prefeitura e foi informada que o prefeito estava viajando e só retornaria no sábado. Também buscou um contato com a secretária de Educação, Aída Miranda Nascimento desde quarta-feira(25), mas não conseguiu falar com a secretária. As funcionárias que atenderam as ligações não quiseram falar sobre o movimento dos professores e disseram que só a secretária poderia falar. Ontem foi tentado um último contato, mas a reportagem obteve a informação de que ela foi localizada e não retornaria à secretaria.


 

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