POLÍCIA

Promotor pede a restauração de processo contra mulher acusada de matar o marido

 

A reportagem publicada pelo Primeira Página na semana passada denunciando o desaparecimento do processo contra os envolvidos na morte de Osemar Pereira dos Santos, 42 anos, teve uma grande repercussão nos programas jornalísticos das emissoras de rádio da região, especialmente nos programas Jornal da Sete e Blitz Total, da Rádio Jacobina FM. Após tomar conhecimento da reportagem, o promotor público de Jacobina, Márcio Henrique Pereira de Oliveira, informou na última terça-feira, dia 10, que vai pedir a restauração do processo.

No último dia 3, o juiz auxiliar da Vara Criminal de Jacobina, Martinho Ferraz da Nóbrega Júnior, expediu alvará de soltura concedendo o relaxamento da prisão de Suliení Moreira da Silva, 40 anos, acusada de planejar a morte do seu companheiro Osemar Pereira dos Santos, de 42 anos, ocorrida na noite do dia 27 de abril de 2003, para roubar 3 mil reais. A vítima teria sido envenenada com chumbinho e teve o corpo queimado. Suliení era a única envolvida no caso que ainda estava presa.

Em sua decisão, o juiz ressaltou "que não se sabe ao certo a real situação de andamento deste processo, porquanto os autos foram extraviados e todas as diligências ordenadas no sentido de restauração dos autos tenham sido em vão, não tendo sequer cópia da denúncia. Diante do exposto e tudo mais que dos autos constam, defiro a pretensão da requerente, no sentido de relaxar, como efetivamente relaxo, a prisão da requerente Suliení Moreira da Silva, determinando que a mesma seja posta imediatamente em liberdade". O magistrado deferiu o pedido de relaxamento de prisão feito pelo advogado de Suliení, em razão do excesso prazal de 41 meses que configura constrangimento ilegal.

Ação do Ministério Público - Em entrevista ao jornal Primeira Página, o promotor Márcio Henrique Pereira de Oliveira afirmou que diante da reportagem, já entrou em contato com a Procuradoria Geral de Justiça para saber quem era o promotor de justiça à época, e está aguardando um retorno do órgão. Após esta informação, ele garantiu que vai entrar em contato com o promotor para tentar "localizar uma cópia da denúncia, uma cópia do parecer ou de alguma peça processual que ajude a gente restaurar esses autos e a sociedade de Jacobina possa ter a resposta do Judiciário e do Ministério Público", argumentou.

Caso sejam esgotadas todas estas possibilidades, o promotor admitiu que poderá reabrir as investigações. "Eu já pedi aos familiares da vítima que tragam todas as informações  possíveis, como local do sepultamento, atestado de óbito e  fotos do corpo. Tudo isso são indícios suficientes para reabrir novamente o caso", explicou Márcio Henrique Pereira de Oliveira. Ele também solicitou um exemplar do jornal Primeira Página, que publicou uma ampla reportagem na época sobre o crime.

O crime - Início da noite do dia 28 de abril de 2003, a Polícia Militar foi informada de que um homem poderia estar morto dentro de uma casa na Travessa Santa Terezinha, no Bairro do Leader. Indo até o local, policiais militares constataram a veracidade da informação e em seguida acionaram a Polícia Civil que adentrou na residência de nº 46 e encontrou o corpo de Osemar Pereira dos Santos, de 42 anos, parcialmente queimado, estirado em um dos quartos.

A vítima havia recebido 3 mil reais e, por isso, teria sido morta por sua companheira Suliení Moreira da Silva, que teria contado com a ajuda do genro Arivaldo Batista dos Santos (Liu) e da adolescente J. S. G., que estavam foragidos. No dia seguinte, na terça-feira (29), em uma ação conjunta das polícias Civil de Jacobina e de Caém, os principais suspeitos foram detidos. Na localidade de Bom Jardim a polícia deteve Suliení, sua filha J.S.G e Robério Alves dos Santos. Este último, acusado de ter dado fuga à mentora do crime. Em Jacobina,  a polícia prendeu Ivanilton Bastos Lima, o “Brutus”, acusado de ter comprado o chumbinho - veneno de matar rato - usado para envenenar a vítima.

Segundo Liu, sua sogra Suliení já havia planejado matar Osemar. "No dia 26, ela (Suliení) mandou Brutus comprar o chumbinho na feira. No dia 27, eu, minha mulher, Osemar e minha sogra, fomos pescar na Sapucaia. Bebemos o dia todo. À noite eu saí com meu cunhado e, quando cheguei em casa, encontrei o corpo de Osemar no quarto. Minha sogra pediu que eu e Brutus levássemos ele para o banheiro, onde ela colocou alguns papelões e umas roupas por cima do corpo, jogou gasolina e ateou fogo. Como a porta do banheiro estava fechada, houve uma explosão. Depois que eu vi as paredes rachadas, fiquei com medo da parede do tanque cair, daí, eu e Brutus levamos o corpo para o quarto e enrolamos no tapete”, relatou Liu à época, confessando que o plano era de enterrar o corpo durante a madrugada, no Bairro Vila Feliz.


 

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