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Mulher acusada de matar e atear fogo no marido ganha liberdade |
O juiz auxiliar da Vara Criminal de Jacobina, Martinho Ferraz da Nóbrega Júnior, expediu na última terça-feira, dia 3, alvará de soltura concedendo o relaxa-mento da prisão de Suliení Moreira da Silva, 40 anos, acusada de planejar e matar o seu companheiro Osemar Pereira dos Santos, 42 anos, na noite do dia 27 de abril de 2003. O processo, segundo informações, desapareceu do Fórum Jorge Calmon, de Jacobina.
Em sua decisão, o juiz ressalta "que não se sabe ao certo a real situação de andamente deste processo, porquanto os autos foram extraviados e todas as diligências ordenadas no sentido de restauração dos autos tenham sido em vão, não tendo sequer cópia da denúncia. Diante do exposto e tudo mais que dos autos constam, defiro a pretensão da requerente, no sentido de relaxar, como efetivamente relaxo, a prisão da requerente Suliení Moreira da Silva, determinando que a mesma seja posta imediatamente em liberdade". O magistrado deferiu o pedido de relaxamento de prisão feito pelo advogado de Suliení, o bacharel Bruno Tínel, em razão do excesso prazal de 41 meses que configura constrangimento ilegal.
O crime - Início da noite do dia 28 de abril de 2003, a Polícia Militar foi informada de que um homem poderia estar morto dentro de uma casa na Travessa Santa Terezinha, no Bairro do Leader. Indo até o local, policiais militares constataram a veracidade da informação e em seguida acionaram a Polícia Civil que adentrou na residência de nº 46 e encontrou o corpo de Osemar Pereira dos Santos, de 42 anos, parcialmente queimado, estirado em um dos quartos.
As primeiras informações davam conta de que a vítima havia recebido 3 mil reais e por isso, teria sido morta por sua companheira Suliení Moreira da Silva, que teria contado com a ajuda do genro Arivaldo Batista dos Santos (Liu) e da adolescente J. S. G., que estavam foragidos. No dia seguinte, na terça-feira (29), em uma ação conjunta das polícias Civil de Jacobina e de Caém, os principais suspeitos foram detidos. Na localidade de Bom Jardim a polícia deteve Suliení, sua filha J.S.G e Robério Alves dos Santos. Este último, acusado de ter dado fuga à mentora do crime. Em Jacobina, no Bairro da Serrinha, a polícia prendeu Ivanilton Bastos Lima, o “Brutus”, acusado de ter comprado o chumbinho - veneno de matar rato - usado para envenenar a vítima.
Tudo foi premeditado - Segundo Liu, sua sogra Suliení já havia planejado matar Osemar. "No dia 26, ela (Suliení) mandou Brutus comprar o chumbinho na feira. No dia 27, eu, minha mulher, Osemar e minha sogra, fomos pescar na Sapucaia. Bebemos o dia todo. À noite eu saí com meu cunhado e, quando cheguei em casa, encontrei o corpo de Osemar no quarto. Minha sogra pediu que eu e Brutus levássemos ele para o banheiro, onde ela colocou alguns papelões e umas roupas por cima do corpo, jogou gasolina e ateou fogo. Como a porta do banheiro estava fechada, houve uma explosão. Depois que eu vi as paredes rachadas, fiquei com medo da parede do tanque cair, daí, eu e Brutus levamos o corpo para o quarto e enrolamos no tapete”, relatou Liu à época, confessando que o plano era de enterrar o corpo durante a madrugada, no Bairro da Vila Feliz.
No depoimento dado na época, a adolescente J.S.G., disse que sua mãe brigava muito com seu padrasto. “Domingo, minha mãe e Brutus disseram que iam matar Osemar, aí eu pedi que não fizessem isso. Pra não ver o que ia acontecer, eu saí, e quando voltei, me disseram que tinham matado Osemar, colocando chumbinho na sopa. Eu não sei quem foi. Minha mãe disse que tinha sido Brutus, pois os dois brigavam muito”, declarou a adolescente.
Suliení, depois de entrar em contradições, acusando todo o tempo Ivanilton Bastos, o Brutus, com quem era suspeita de manter um relacionamento amoroso, confessou em seu depoimento que arquitetou a morte do seu companheiro, envolvendo o máximo de pessoas possíveis para dificultar a elucidação do caso. Ela assumiu a autoria do crime e disse que incriminou Brutus porque sabia que o mesmo tinha desavença com a vítima.