Jacobina
Animais na pista representam grande perigo para motoristas e passageiros

 

Quem viaja nas estradas da região, além de enfrentar os problemas normais da falta de conservação, ainda tem que conviver com um problema mais grave que é a presença constante de animais nas pistas. Em diversos trechos dessas estradas, os motoristas se deparam com essa triste realidade que pode provocar acidentes que geram de prejuízos financeiros a perda de vidas.
Não são poucos os registros de acidentes envolvendo animais que circulam livremente nas pistas. A presença de eqüinos, bovinos e caprinos, são as mais comuns e em alguns trechos como o que liga Jacobina-Mirangaba, o problema é ainda mais grave, pois os animais acostumam ficar em pontos perigosos. No ultimo sábado, dia 23, o repórter deste jornal deparou com um jumento parado na pista, exatamente no meio de uma das curvas mais perigosas da estrada.
Segundo ele, se não estivesse em baixa velocidade teria ocorrido um acidente. Cenas parecidas ocorrem sistematicamente em todas as estradas da região. O motorista José Henrique Marques disse ao Primeira Página que já teve que conviver com o prejuízo em seu veículo após bater num animal que transitava pela pista. Ele informou que não pôde reclamar o ressarcimento do prejuízo, porque não fez ocorrência devido o local e circunstâncias.
Deixar animais soltos na pista, além de ser um ato irresponsável, também é crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O proprietário do animal é responsável pelos prejuízos causados ao veículo, mas dificilmente paga porque o dono nunca aparece. Para a maioria dos proprietários é melhor arcar com o prejuízo do animal morto do que ter que pagar pelos danos no veículo.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), apenas no primeiro semestre de 2005 ocorreram 1.541 acidentes envolvendo animais nas rodovias federais do país, com 416 feridos e 18 mortos. Durante o ano passado, foram recolhidos pela PRF 5.664, uma média de 15 por dia. A responsabilidade por manter o animal fora das rodovias é do proprietário, sendo esse quem irá responder civil e criminalmente se os animais provocarem acidentes nas pistas.
De acordo com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), animais nas pistas também é uma das principais causas de acidentes nas estradas baianas. Uma reportagem recente do jornal A Tarde mostrou que a situação é muito comum nos municípios de Senhor do Bonfim, Capim Grosso, Juazeiro e regiões atingidas pela seca, onde os proprietários de terra soltam os animais para que eles possam se alimentar em outros pastos. Em entrevista ao jornal, o subcomandante da PRE, capitão Teixeira, alegou que os trabalhos de conscientização da população rural, realizados pelo órgão, operam em duas frentes de ação: o alerta para o perigo das caravanas de romarias nas estradas, quando centenas de pessoas saem em vigílias de comemoração religiosa, e a constante presença de animais nas pistas.
“Estamos sempre em contato com os fazendeiros das regiões onde há mais incidência de animais soltos nas estradas para mostrarmos a importância deles os manterem presos nos currais”, disse o capitão. A recomendação para os motoristas, é que, ao se depararem com animais de grande porte nas pistas (cavalos, bois, etc.), não buzinem nem sinalizem com os faróis, porque pode assustar o animal que pode ter reações inesperadas. Além disso, é importante fechar os vidros, passar lentamente pelo local e avisar o posto policial mais próximo.
Até no perímetro urbano pode ser vista a presença de animais. Na última terça-feira, dia 26, a reportagem do Primeira Página flagrou dois animais em plena Avenida João Fraga Brandão, nas proximidades do Casarão do Forró, andando livremente pela pista. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Agricultura do município e foi informada pelo responsável pelo setor de Horto, Parques e Jardins, Roque Tavares, que aqueles e outros animais já foram apreendidos.
Ele também disse que o setor está atento e responsabilizou os donos que por não ter pasto para alimentar seus animais, estes acabam se dirigindo para locais públicos em busca de alimento. Outros estariam soltando os animais à noite em espaços públicos. Ele disse ainda que desde o dia 15 do mês passado até agora foram apreendidos 23 animais, que estão até agora à espera da reclamação de seus donos.


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